CURSO SOBRE MÚSICAS E HISTÓRIAS TRADICIONAIS SENEGALESAS INSCREVE ATÉ DIA 4

O Núcleo de Arte (Nart), vinculado à Pró-Reitoria de Extensão (Proex) da Uneb, prorrogou até o dia 4 as inscrições para as novas turmas do curso Baobá: músicas e histórias tradicionais senegalesas.

O curso, inteiramente gratuito, tem como público-alvo músicos e pessoas interessadas na cultura senegalesa. Estão sendo oferecidas 15 vagas para os níveis iniciante e sênior. As inscrições devem ser solicitadas pelo e-mail artecultura.uneb@gmail.com.

As aulas teóricas e práticas serão ministradas por Griô Doudou Rose Thioune, reconhecido por introduzir a percussão senegalesa no Brasil contemporâneo. O início do curso está previsto para o dia 7 de maio e o término para o dia 29 de agosto, com aulas às segundas-feiras (sênior), das 18h30 às 20h30, e às quartas-feiras (iniciante), também das 18h30 às 20h30.

Ao final do curso, os participantes que obtiverem 75% de frequência recebem certificados.

Fonte:http://www.comunicacao.ba.gov.br/noticias/2012/04/30/curso-sobre-musicas-e-historias-tradicionais-senegalesas-inscreve-ate-dia-4

25% dos professores do ensino básico do país não têm ensino superior

“Cerca de 25% dos professores que trabalham nas escolas de educação básica do país não têm diploma de ensino superior. Eles cursaram apenas até o ensino médio ou o antigo curso normal. Os dados são do Censo Escolar de 2011, divulgado este mês pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais). ”

Notícia publicada no site da Folha On-line em 28 de abril, às 19:46. Disponível aqui.

Mais audiovisual, menos leitura

As implicações educacionais do crescente aumento do audiovisual no tempo livre do brasileiro

 

Nos momentos de lazer, o brasileiro assiste mais e lê menos em 2011 que em 2007. Essa é uma das conclusões que podemos extrair da pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil”, feita pelo Ibope Inteligência e Instituto Pró-Livro. Em sua terceira edição, seu objetivo era “medir a intensidade, forma, motivação e condições de leitura da população brasileira”. Para isso, foram realizadas 5012 entrevistas em 315 municípios de todas as regiões do país. Os resultados estão disponíveis no site do Ministério da Cultura e podem ser acessados aqui.

Na pergunta sobre o que gosta de fazer no seu tempo livre, o percentual de leitura de livros, jornais, revistas e textos na internet caiu de 36% em 2007 para 28% em 2011. Do mesmo modo, a escrita apresentou um recuo de 21 para 18%. A questão seguinte elucida esses percentuais ao mostrar que a leitura é vista mais como uma forma de adquirir conhecimento para a vida (65%), para o trabalho (41%) ou para os estudos (35%), ou seja, mais ligada ao mundo dos saberes que dos prazeres (18%) ou interesses (21%).

Por outro lado, atividades audiovisuais caseiras aumentaram: assistir televisão lidera disparado, passando de 77% para 85%, enquanto que assistir vídeos e filmes em DVD passou de 29 para 38%. Podemos incluir na conta navegar pela internet, que passou de 18 para 24%, e os videogames, que passou de 10 para 13%. A música e o rádio também tiveram destaque, ficando estáveis na casa dos 52%.

Tudo isso indica que, além da sociabilidade com amigos e família e da distração para passeio e descanso, boa parte do lazer brasileiro ocorre no mundo audiovisual ligado às indústrias culturais. Esse momento de lazer é fundamental para a formação da percepção e dos gostos dos indivíduos, sobretudo jovens, a partir dos quais se constroem realidades, sociabilidades e identidades.

A escola precisa lidar mais intensamente com essa dimensão cada vez mais presente no dia-a-dia dos cidadãos. Em primeiro lugar, é necessária uma valorização das disciplinas de artes visuais e música, não apenas voltadas à dimensão prática e lúdica, mas como reflexões sobre o papel da percepção visual e auditiva no cotidiano, levando os estudantes a perceber a construção da visualidade e da sonoridade em diferentes suportes, as finalidades de seus produtos e produtores e, sobretudo, os códigos envolvidos.

As disciplinas convencionais também podem contribuir para essa educação audiovisual. No caso da História, por exemplo, os professores e os teóricos do ensino dessa disciplina há décadas apontam os benefícios de se utilizar imagens e gravações nas aulas, através dos quais se explora a construção dos códigos visuais e auditivos em diferentes períodos históricos, bem como a formação do gosto e sua repercussão em práticas e representações sociais. A partir deste trabalho, uma das dimensões mais naturalizadas como a percepção humana pode ser vista pelos alunos como historicamente construída, por vezes de maneira consciente a orientar as emoções e sensibilidades do público, como ocorre nas indústrias culturais.

O aumento da dimensão audiovisual no cotidiano do brasileiro reforça a importância de o professor ter familiaridade para explorar a linguagem das imagens, vídeos e músicas como fontes, explorando não apenas no conteúdo do quadro, filme ou letra de canção, mas sua própria forma. Menos freqüente entre os professores, é importante também mobilizar atividades envolvendo imagens e sons na sala de aula, para que se possa investigar e abordar as representações e percepções audiovisuais dos estudantes.

Um exemplo fértil ocorreu no final de 2009 numa turma de 5a série do ensino fundamental II de uma escola de Cachoeira-BA. Numa aula, um estagiário, que por sinal era artista plástico, pediu para os estudantes escreverem o que sabiam sobre os indígenas brasileiros. Diante da resistência dos estudantes pouco familiarizados com a escrita, o estagiário então pediu um desenho. De todos os desenhos que a turma retornou, um chamou atenção porque mostrava uma habitação em formato triangular, construída a partir de três varas e encoberta com pano. Como nenhum grupo brasileiro possui tal formato de habitação, típico de nativos da América do Norte, é muito provável que a criança tenha visto a imagem em algum desenho animado, quase certamente o Pica-Pau.

Assim, uma informação sobre os indígenas veiculada na televisão ficou registrada no inconsciente ótico do aluno, que o associou aos nativos sul-americanos quando foi requisitado. É interessante notar que dificilmente alguma avaliação escrita traria esta informação. Foi apenas ao pedir uma imagem para seu próprio diagnóstico sobre a turma que o estagiário pode perceber a associação.

Esse diagnóstico talvez seja um primeiro passo para um trabalho continuado na perspectiva de uma educação audiovisual nas escolas públicas. Tal educação pode tornar o lazer dos estudantes mais crítico e reflexivo, sem deixá-lo menos prazeroso.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Livro didático sobre Stalin causa polêmica na Rússia e pode sair de circulação

Um livro didático distribuído a alunos do ensino público da Rússia está gerando grande polêmica e corre o risco de sair de circulação. Parte de uma série intitulada 20 Grandes Russos, o volume dedicado ao ex-líder da extinta União Soviética Josef Stalin tornou-se alvo de oficiais da prefeitura de Moscou e da Câmara Pública da Rússia.

Notícia disponível no site Opera Mundi, acessível aqui.

Projeto estimula interesse pela arqueologia

Um projeto criado por arqueólogos da Universidade de São Paulo (USP) pode tornar mais interessante o ensino de ciências e de outras disciplinas nos ensinos fundamental e médio. Matéria publicada pelo Estado de São Paulo, disponível no site do Jornal da Ciência em http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=81824

As lutas do mundo árabe

A reclamação de um vendedor de rua contra o confisco de suas mercadorias terminou de maneira trágica na Tunísia. Na manhã de 14 de dezembro de 2010, indignado com o descaso das autoridades, Mohammed Bouazizi ateou fogo ao próprio corpo. Enquanto agonizava no hospital, protestos em seu apoio ganharam uma dimensão inesperada, transformando-se em oposição à miséria da população e à corrupção do governo autoritário. Pressionado, o presidente Ben Ali deixou o cargo que mantinha há 23 anos. Divulgados pela internet, os eventos na Tunísia inspiraram protestos em vários países árabes do Norte da África e Oriente Médio. No Egito, a população provocou a renúncia de Hosni Mubarak, há 30 anos na Presidência, e na Líbia rebeldes iniciaram uma guerra civil contra Kaddafi, desde 1969 no poder. Podemos entender essa onda a partir da história da formação dos países árabes.

Expansão muçulmana
No início do século VII, a Península Arábica era povoada por nômades que percorriam o deserto com seus camelos e agricultores sedentários nos oásis. Organizavam-se em tribos que falavam árabe e possuíam uma religião politeísta com um santuário em Meca.

Em 610, um comerciante das caravanas chamado Maomé começou a pregar a submissão (Islã) ao deus único Alá, criando uma nova religião fundada em recitações, depois reunidas no livro sagrado Alcorão. Perseguido, em 622  fugiu de Meca e organizou um exército. Oito anos depois conquistou essa cidade sagrada, destruiu o antigo culto, tornando-se líder dos árabes e profeta maior dos muçulmanos (adeptos do Islã). Não por acaso o primeiro pilar dessa religião é o testemunho segundo o qual “só há um Deus, Alá, e Maomé é seu profeta”. Após sua morte, em 632, os árabes passaram a ser governados por líderes político-religiosos (califas), que iniciaram uma expansão territorial e dominaram o Norte da África, a Península Ibérica, a Pérsia e o Afeganistão.

Por volta de 1250, os territórios árabes estavam fragmentados e os califas, enfraquecidos. Nos séculos seguintes, vários domínios árabes foram conquistados pelos mongóis e turcos de diferentes linhagens (seljúcidas, mamelucos, otomanos). Mas, da mesma maneira que reis de terras distantes (Mali e Indonésia), os povos invasores foram convertidos. O Islã e a língua árabe tornaram-se a identidade cultural de uma vasta região que incluía o Norte da África, a Península Ibérica (até 1492), os Bálcãs, o Sudeste e o Centro da Ásia. A extensão desses domínios, bem como seus desenvolvimentos tecnológicos e culturais, criou uma sensação de supremacia do mundo muçulmano.

Imperialismo europeu e independência
Essa sensação foi desafiada no século XIX, quando ocorreu uma interferência ocidental que dura até hoje. As potências europeias iniciaram uma corrida imperialista em todo o mundo, dominando territórios ou influenciando governos para garantirem investimentos, matérias-primas e mercados consumidores. Assim, várias regiões otomanas foram incorporadas principalmente por França, Grã-Bretanha e Rússia. Permaneceram politicamente independentes os territórios turcos, reinos na Península Arábica (Iêmen, Arábia Saudita) e na Pérsia.

O mundo muçulmano defrontou-se com uma nova situação, na qual o Islã perdera a hegemonia. As ideias e os modos de vida ocidentais difundiam-se juntamente com seu desenvolvimento militar e tecnológico. Os líderes otomanos tentaram modernizar o exército e incorporar instituições liberais, como o Parlamento e a cidadania. Para manter sua independência após a Primeira Guerra Mundial, os turcos fundaram uma república laica em 1922, vigente até hoje.

Já os árabes oscilaram entre diversas posições intelectuais. O pan-islamismo almejava  a união dos povos muçulmanos (árabes, turcos, persas etc.) em torno de sociedades com valores religiosos do Islã. O arabismo previa a união dos árabes de vários países, ressaltando a importância do Islã (apesar de haver árabes de outras crenças, como cristãos). Por fim, pregou-se a formação de Estados nacionais laicos, onde povos e religiões diferentes pudessem conviver, mesmo considerando a maioria muçulmana.

Essa terceira posição era bem-vista pelos europeus. Quando não puderam ou não se interessaram por manter os domínios, apoiaram elites dos Estados árabes para mantê-las sob sua influência. Após a Segunda Guerra Mundial, esse papel coube aos Estados Unidos e à União Soviética, que disputavam a supremacia do planeta e o controle do petróleo. Quase todos os países árabes se tornaram independentes, entre monarquias e repúblicas. Apenas os palestinos não conseguiram fundar um Estado nacional.

Egito, Líbia e o Ocidente
A trajetória do Egito e da Líbia expressa bem esses dilemas. Em 1922, o primeiro país independente tornou-se uma monarquia liberal. A corrupção e a interferência britânica levaram nacionalistas e muçulmanos a derrubá-la em 1952, sob liderança do carismático coronel Gammal Abdel Nasser. Ele iniciou uma política estatizante de distribuição de terras, irrigação do Rio Nilo e industrialização. Mais ousadamente, nacionalizou o Canal de Suez, em 1956, que desencadeou uma guerra contra Grã-Bretanha, França e Israel, na qual o Egito foi derrotado. Nasser ganhou prestígio e articulou um pan-arabismo secular, concretizado na curta união entre Egito e Síria, na República Árabe Unida (1958-1964). Além disso, em 1967, conduziu outra guerra de países árabes contra Israel. Derrotado, renunciou à Presidência, mas voltou ao cargo após a aclamação popular, permanecendo até sua morte, em 1970.

Nasser não deixou de perseguir os opositores, em especial os membros da Irmandade Muçulmana. Fundada em 1928 no Egito, por Hassan al-Banna, difundira-se por vários países árabes ao pregar um retorno mais profundo ao islamismo. Inicialmente voltada à religião, tornou-se um partido político que mobilizou as massas contra a monarquia. Decepcionados com Nasser, tentaram assassiná-lo, sem sucesso. Seus líderes foram presos ou mortos e a Irmandade passou a atuar na clandestinidade.

Em 1981, assassinaram o sucessor de Nasser, Sadat, que abriu o país ao Ocidente, assinando um tratado de paz com Israel após o conflito ocorrido em 1973.

Hosni Mubarak assumiu o lugar de Sadat e reprimiu os membros da Irmandade Muçulmana. Em sua atividade contra esse governo, a Irmandade oscilou entre atentados contra turistas estrangeiros (1997), boicote às eleições (1990) e o apoio a candidatos independentes (nos anos 2000).

Mubarak manteve a postura pró-Estados Unidos, que lhe valeu uma considerável ajuda financeira. Seu governo foi marcado por repressão política, valendo-se do clientelismo para se reeleger continuamente. Mas, devido à crescente pobreza e ao desemprego, causados pela abertura econômica e a corrupção, a situação no Egito tornou-se explosiva, detonada com a notícia das consequências na Tunísia.

Já a Líbia era uma colônia italiana até o pós-Guerra. Com a independência em 1951, tornou-se uma monarquia sob a regência de Idris I. As relações entre o novo país e os Estados Unidos tornaram-se muito próximas, com os americanos aproveitando para si o petróleo líbio com pouca ou nenhuma compensação para esse país árabe. Em 1969, após uma crise de popularidade, o rei líbio foi derrubado e o país passou a ser governado pelo militar Muammar Kaddafi, então com 27 anos. Admirador do nacionalista egípcio Nasser, Kaddafi tornou-se inimigo dos EUA, o que fez com que a Líbia sofresse embargo dos países ocidentais, que durou até 2003.

A partir de então, o líder líbio iniciou uma abertura ao Ocidente, permitindo que grandes companhias de petróleo norte-americanas se instalassem no país. Atualmente, Kad¬dafi é o ditador há mais tempo no poder, mas não ficou imune à onda de manifestações nos países árabes iniciadas em janeiro. Diferentemente do que ocorreu no Egito, os protestos dividiram o país, criando um cenário de guerra civil entre tropas leais ao governo e os grupos que pretendem derrubá-lo. Os conflitos levaram as potências ocidentais (EUA, Reino Unido e França) a bombardear alvos militares em território líbio, com o objetivo de auxiliar os grupos contrários a Kaddafi.

Enquanto isso, divulgados pela internet, mais protestos populares ocorrem em paí¬ses árabes, onde a situação é semelhante. Não foram suficientes para derrubar os governos, mas a força repressiva dos donos do petróleo ainda não os calou.

Publicado originalmente em: Carta Fundamental. 13 abr. 2011. Disponível em http://www.cartacapital.com.br/carta-fundamental/as-lutas-do-mundo-arabe/

Churchill, o militar e o mito

Nas comemorações, em Londres, dos 60 anos da Segunda Guerra Mundial em 2005, a leitura artística de discursos do primeiro-ministro britânico da época, Winston Churchill, foi uma das movimentadas atrações. A associação de seu nome com a atuação da Grã-Bretanha no conflito é tão latente que até hoje gera uma enxurrada de biografias, com tons que variam entre o enaltecimento pela defesa da ilha e a responsabilização pelas inúmeras mortes de soldados ingleses. Todas configuram fios da trama que tornam Churchill mundialmente um dos mitos políticos e militares do século XX.

Winston Churchill nasceu em 1874, filho de mãe norte-americana e pai da aristocracia inglesa. Randolph Churchill atuou como político na Câmara dos Comuns pelo Partido -Conservador e foi membro de gabinete de governo no reinado da rainha Vitória. Por não corresponder às expectativas do pai nos estudos, em vez de curso universitário, o jovem Winston seguiu carreira militar, passando no exame para cadete na Real Academia Militar em 1893, promovendo-se em 1895 para os 40 Hussardos da Rainha, um renomado regimento de cavalaria.

Tanto Randolph quanto Winston participaram do expansionismo britânico pelo mundo, quando o “império onde o sol nunca se punha” atingiu sua maior extensão. No gabinete, Randolph viu a Grã-Bretanha reforçar seu poder em todos os continentes, como a anexação da Birmânia, em 1885, e a ocupação de territórios africanos, do Egito à África do Sul. Já o jovem Winston Churchill participou de campanha contra tribos afegãs em 1897, da expedição para reconquista do Sudão em 1898 e, no ano seguinte, foi preso no conflito entre os ingleses e os bôeres holandeses na África do Sul. A presença nesses episódios reforçou nele um sentimento difundido em fins do século XIX e início do XX, que pregava um papel civilizatório para as nações europeias, via conquista militar ou predomínio econômico sobre o globo. Winston Churchill foi um ferrenho defensor do imperialismo e do colonialismo britânico, até mesmo quando essa postura já soava inconveniente, a exemplo da questão sobre a autonomia da Índia nos anos 1930, atacando abertamente Mahatma Gandhi no movimento que tornaria o líder hindu outro mito mundial do século XX, símbolo da não violência.

A fuga da prisão na África do Sul, o esconderijo por dois dias no poço de uma mina, o transporte de trem para Moçambique no meio de fardos de lã, e o retorno para a atuação no Exército britânico, descrita por meio de reportagens, valeram a Churchill prestígio para impulsionar sua eleição ao Parlamento em 1900. A partir daí iniciou uma carreira política de altos e baixos, com discursos memoráveis, opiniões controversas, mudanças de partido, impetuosidade nas ações em gabinetes de governo que lhe valiam prestígio ou períodos de isolamento. A carreira política de Churchill não o afastou das relações com os militares. Em 1905 ocupou seu primeiro cargo como vice-ministro para as Colônias, e em 1911 foi nomeado primeiro lorde do Almirantado (ministro da Marinha), participou da organização de tropas britânicas na Primeira Guerra Mundial e foi nomeado ministro das Colônias em 1921. Seus contatos no governo e nas Forças Armadas o mantinham bem informado das questões militares no mundo. Churchill alertou para o que se passava com a Alemanha nazista e advogou pelo rearmamento do país, na contramão dos cortes de gastos militares para investimentos sociais pelo gabinete dos anos 1930, em meio à crise econômica mundial e dolorosas lembranças das mortes do conflito entre 1914 e 1918.

Quando Hitler alcançou o poder pelo Partido Nazista em 1933, iniciou uma política belicista. A Alemanha tinha sofrido pesadas sanções com a derrota na Primeira Guerra, pois o Tratado de Versalhes a responsabilizava pelos prejuízos: pagou altas somas de dinheiro aos vitoriosos Inglaterra e França, perdeu territórios e foi desarmada. Hitler ignorou Versalhes, passou a rearmar o país e a expandir o território alemão. Ocupou a Renânia em 1936, anexou a Áustria em 1938, invadiu a Tchecoslováquia em março de 1939 e, após firmar acordo de não agressão com a URSS de Stalin, invadiu a Polônia em setembro. Como a Polônia era aliada da Inglaterra, esta declarou guerra ao Reich, deflagrando o conflito na Europa.

A construção do mito Churchill, o estadista visionário e determinado, aconteceu nesse contexto. Suas severas críticas aos “apaziguadores” reverteram a seu favor com a deflagração da guerra, valendo o retorno ao cargo de lorde do Almirantado em setembro de 1939 e sua nomeação para primeiro-ministro em maio de 1940. Dois meses depois teve de lidar com os momentos mais difíceis para a Inglaterra. As forças nazistas invadiram e ocuparam o norte do território francês, voltando-se para a ilha. Atacaram bases na costa e, não obtendo resultado, durante cinco meses bombardearam cidades, começando pela capital, Londres. Churchill manteve sua posição de resistir ao ataque alemão, apelando ao patriotismo e à luta em inflamados discursos: “Hitler sabe que ou nos dobra nesta ilha ou perde a guerra. Se pudermos resistir, a Europa poderá ser livre e o destino do mundo voltar-se para um futuro mais promissor iluminado ao sol. Mas, se falharmos, o mundo inteiro (…) mergulhará no abismo de uma nova Idade das Trevas”.

Para a opinião pública, o primeiro-ministro passou a simbolizar a resistência e a luta pela liberdade. Quando, em maio de 1941, Hitler trocou a frente ocidental pela opção de invadir a URSS, deixando de atacar a Inglaterra, seu prestígio estava consolidado, aumentando com a virada na guerra. Churchill procurou convencer o presidente Roosevelt da magnitude do conflito e, contendo seu empedernido anticomunismo, contatou Stalin. Os arranjos formalizaram, na Conferência de Teerã, em 1943, a coalizão entre URSS, Estados Unidos e Grã-Bretanha contra a Alemanha.

No final da Segunda Guerra Mundial, Churchill era uma personalidade de prestígio mundial, bem mais rico em razão do sucesso de seus livros, que lhe valeram o Nobel de Literatura em 1953. Mas, ao contrário do que imaginava, seu partido saiu derrotado das eleições de 1945, motivo pelo qual renunciou ao cargo de primeiro-ministro. Na esfera internacional, percebeu a emergência de uma ordem mundial na qual a Grã-Bretanha perdera o papel de principal potência, disputado agora por EUA e URSS na Guerra Fria. Responsável por difundir a imagem da Cortina de Ferro, reuniu esforços para a formação de uma união europeia. Antes de morrer e ser enterrado com honrarias de chefe de Estado, em 1965, ainda viu o Império se desfazer com a independência política das colônias.

Churchill era consciente do seu papel nos eventos da Segunda Guerra, como também na sua interpretação, ao ponto de ironicamente declarar que “a História será gentil comigo porque eu irei escrevê-la”. Não só escreveu suas Memórias da Segunda Guerra Mundial como seus documentos e discursos foram reunidos no Museu Churchill, em parte disponíveis em www.winstonchurchill.org. A parte mais pitoresca dessa churchilliana on-line apresenta e procura refutar “mitos” pessoais e históricos em torno do líder, como sua compulsão pela bebida ou, ao direcionar suprimentos para zonas de guerra, ter causado na fome de Bengala a morte de milhões de pessoas entre 1943 e 1945. Mas esse esforço não impede apropriações funestas. Em 2003, o chefe do Pentágono, ao planejar a “guerra defensiva” contra o Iraque, comparou Churchill ao presidente dos Estados Unidos. George W. Bush deve ter ficado lisonjeado, pois possuía um busto do estadista britânico em sua escrivaninha.

Publicado Originalmente em:

Carta na Escola. 9 fev. 2011. Disponível em http://www.cartacapital.com.br/carta-na-escola/churchill-o-militar-e-o-mito/

O profeta pornopolítico

“Você ou é um precursor, que a crítica literária mais tarde elevará às culminâncias, ou um louco banal, um tarado”. As palavras de Veiga Miranda, sob o impacto da primeira leitura de A mulher carioca aos 22 anos, foram duplamente proféticas quanto ao destino de seu amigo, o escritor João de Minas.

Sua trajetória cheia de reviravoltas lembra a dos personagens fantasiosos que criou. Nascido em Ouro Preto em 1896, seu nome era Ariosto Palombo, e assim era conhecido nos jornais e revistas de Belo Horizonte até 1919. O talento e os modos excêntricos já chamavam a atenção de colegas. Depois adotou o pseudônimo com o qual assinaria sua produção literária, uma clara homenagem a João do Rio (1881-1921).

Mas, ao contrário do cronista dos tipos urbanos cariocas, em sua obra de estreia João de Minas voltou os olhos para bem longe da cidade. Jantando um Defunto (1929) nasceu de uma série de “reportagens” enviadas por ele desde 1927 para publicação no jornal O Paiz, do Rio de Janeiro. O livro contém, segundo o subtítulo, “a mais horripilante e verdadeira descrição dos crimes da Revolução”, na passagem da Coluna Prestes pelos sertões de Mato Grosso, Goiás e Minas Gerais.

O sucesso foi imediato. Na época, produzir um testemunho diretamente do sertão era uma estratégia de autenticidade elogiável, em oposição ao chamado “sertanismo de gabinete”. O clamor para que se conhecesse a “realidade nacional” vinha desde fins do século XIX, ganhou impulso durante a Primeira Guerra Mundial e tornou-se um mantra nos anos 1920 e 30. O mote da “redescoberta do Brasil” pairava sobre a intelectualidade, e João de Minas inseriu-se nessa tendência ao permear o livro de descrições da paisagem e de tipos populares. E não parou aí: o relato da vida e das crenças dos sertanejos era recheado de eventos fantásticos e milagrosos, justificados por hipóteses espíritas também em voga na época.

Para completar, o assunto principal do livro tinha potencial para gerar muita polêmica. Intensificavam-se as críticas à legitimidade política da oligarquia dos Partidos Republicanos Paulista (PRP) e Mineiro (PRM) – que comandavam o país, revezando-se na Presidência da República. A Coluna Prestes (1924-1927) foi talvez o maior movimento de contestação ao regime, mobilizando as aspirações de mudanças de inúmeros intelectuais na imprensa. As reportagens e o livro Jantando um Defunto eram uma reação a essa onda, afinados com o discurso do governo e dos intelectuais mais conservadores e legalistas.

O reconhecimento literário veio em elogios de escritores como Medeiros e Albuquerque, Coelho Neto e Menotti del Picchia. E consolidou-se na louvação rasgada de Humberto de Campos (1886-1934), membro da Academia Brasileira de Letras, bastante apreciado pelo grande público. Segundo o imortal, o jovem escritor equiparava-se em estilo ao autor de Os Sertões, mas levava sobre Euclides da Cunha uma vantagem: “Impressiona a imaginação de modo mais vivo”.

Quando desembarcou no Rio de Janeiro, em 1930, foi direto para a redação de O Paiz, o mais governista dos órgãos de imprensa, e naquele ano lançou mais dois livros. Um deles, Farras com o demônio, mantinha-se fiel ao filão sertanista, narrando uma viagem ao Araguaia em que acompanhou personalidades políticas goianas. Caiu nas graças de Monteiro Lobato (1882-1948), que chegou a intermediar a publicação de uma continuação pela Companhia Editora Nacional, projeto que não se concretizou. “Você só tem uma explicação: desnorteante! Há nesse livro coisas espantosas, lances de gênio, faíscas de humorismo que tonteiam”, empolgou-se o escritor.

O outro livro de 1930 relacionava-se ao motivo que levou João de Minas à capital da República: as eleições presidenciais. Militante do PRP, João de Minas estava engajado na defesa do governo oligárquico, e expressa com vigor sua posição em Sangue de Ilusões. A obra é um ataque desbocado ao governador de Minas Gerais, Antonio Carlos Ribeiro de Andrada e, indiretamente, ao candidato de oposição à Presidência, Getulio Vargas. A vitória coube ao governista Júlio Prestes, mas ele não chegou a tomar posse por causa da irrupção da “Revolução” de Vargas, em outubro. Com ela, João de Minas quase perdeu o pescoço, sendo obrigado a fugir para a Argentina.

O escritor que voltou do exílio três anos depois era um homem ressentido com os rumos do país. E isso se refletiu numa radical mudança em suas temáticas. Entre 1934 e 1935, ele lançou uma coleção de livros eróticos que seria intitulada Revolução Sexual Brasileira. Acompanhava os temas quentes do momento: começou pelos ideais e vícios cosmopolitas do Rio de Janeiro em A Mulher Carioca aos 22 Anos, passou pela questão proletária paulistana em A Datilógrafa Loura, tratou da Revolução Constitucionalista de 1932 em Uma Mulher… Mulher! e abordou, numa época de popularização do espiritismo e do esoterismo, o além-túmulo numa paródia à Divina Comédia intitulada A Prostituta do Céu.

O enredo das histórias é um só: mulheres bonitas que enfrentam as agruras da vida e do amor, sofrem assédios despudorados, passam por dificuldades financeiras, levam golpes do baú e são vítimas de todo tipo de vigarice. Os ideais românticos e cristãos das protagonistas contrastam com a realidade repleta de pessoas corruptas, hipócritas e sexualmente devassas. Com uma escrita leve e bem-humorada, o autor é mordaz em sua crítica à modernização dos costumes, numa época em que a mulher da alta sociedade ganhava o espaço público nas metrópoles.

Ao qualificar sua nova literatura como “sexual sociológica”, não perdeu de vista as questões políticas – mesmo que maquiadas pela ficção. No prefácio do livro A mulher carioca aos 22 anos, o autor explicita seu recado político por trás dos temas escandalosos: “Este livro é uma ponte entre a República Velha e a Nova. Neste sentido, é o único. Este romance romanceia, mudando os nomes dos bois, os últimos tempos da República do PRP. E passa para os primeiros tempos da República Nova, ao redor de um moço bonito, que acaba interventor de Alagoas. O leitor que ler este livro com a competente malícia, compreenderá logo o movimento das máscaras. E decifrará os heróis e a heroína. Porque eles estão vivos por aí”.

O alvo agora eram Getulio Vargas e a “ditadura”, o modo como João de Minas e a oposição qualificavam o regime oriundo da Revolução de 30. Mas, enquanto a maioria dos intelectuais se debatia com diferentes projetos para o Brasil, João de Minas assumia uma postura comum a muitos humoristas da época: não tinha projeto algum, desconfiando da própria ideia de nação. Como disse uma de suas personagens ao propor o lucrativo ramo da prostituição à linda protagonista de A Datilógrafa Loura: “Uma das mercadorias mais vendáveis é a mercadoria invisível, inexistente, irreal. Tudo o que é pura fantasia, mentira absoluta, vende-se formidavelmente. A virtude, a caridade, a salvação do Estado, o bem público, a paz, a ordem, o céu, o inferno, etc., fantasias estúpidas, vendem-se a preços fabulosos”.

Como suas heroínas, João de Minas sentia-se um deslocado da história: o mundo no qual militara ardentemente se mostrava uma grande farsa. Sua literatura transgressora se alimentou desse ressentimento e dessa nostalgia, e parece ser o que de melhor escreveu.

Aos leitores de hoje, o estilo pode lembrar o de outro autor, também repórter por formação, que se consagraria como um dos maiores nomes da literatura nacional: Nelson Rodrigues (1912-1980). Seja pelos títulos chamativos, seja pelas frases lapidares – “O Universo está errado. A mulher é que está certa” –, seja pelo ritmo, pelas personagens e situações [veja trecho no box]. Ambos foram herdeiros de uma tradição de crônicas urbanas e de costumes, formada principalmente por João do Rio e Benjamin Costallat (1897-1961). Mas quando Nelson começou sua carreira de repórter policial no jornal do pai, João de Minas já era famoso pelas polêmicas crônicas que deliciavam os leitores.

Foram dez livros e três reedições entre 1929 e 1937. Para coroar os traços quase ficcionais da vida de Ariosto Palombo, ou João de Minas, seu afastamento das letras deu-se quando adotou de vez outro pseudônimo: Mahatma Patiala – o primeiro nome certamente pegando carona na fama do indiano Gandhi. Em 1935, Patiala fundou a Igreja Brasileira Cristã Científica, da qual se autoproclamou o primeiro papa. Sua obra derradeira foi a Bíblia Cristã Científica do Brazil, A Vida Começa na Ciência Divina. Sendo dele, não podia ser um livro qualquer. O ex-escritor João de Minas, agora profeta messiânico, misturava elementos de diversos segmentos religiosos e laicos brasileiros – catolicismo, umbanda, espiritismo, esoterismo, comunismo e nacionalismo – buscando atingir dos mais pobres aos mais ricos, além de intelectuais espiritualizados.

A “Cura Divina Total” conquistou adeptos por mais de três décadas, mas ao trilhar o caminho místico, ele lançou uma pá de cal sobre a carreira literária, adicionando outro estigma ao seu perfil: além de conservador político e mitômano, escritor pornográfico e folhetinesco, passou a ser visto como louco ou golpista. Foi barrado em associações de escritores, teve o nome apagado das enciclopédias literárias e foi proibido o estudo de suas obras nas academias. Em 1984, quando morreu na cidade de Boituva, interior paulista, o Brasil já se esquecera completamente daquele outrora grande escritor.

João de Minas permaneceu apenas na memória dos que viram méritos em seus livros, cada vez mais difíceis de serem encontrados até em sebos. Sofre do mesmo mal que antes atingiu seu inspirador João do Rio, esquecido porque “negam seu talento pela sua arte, e a sua arte pela sua vida”.

Leandro Antonio de Almeida é historiador e autor da dissertação “Dos sertões desconhecidos às cidades corrompidas: um estudo sobre a obra de João de Minas (1929-1936) (USP, 2008).

Saiba Mais – Bibliografia:

BULHÕES, Marcelo. Jornalismo e literatura em Convergência. São Paulo: Ática, 2007.

CAMPOS, Humberto de. “Um Bárbaro”. In: Crítica (Primeira Série). 2ª ed. Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre: W.M. Jackson Inc. Editores, 1945, pp. 365-382.

FREIRE-FILHO, Aderbal. “Quem é Esse Cara?” In: Minas, João de. A Mulher Carioca aos 22 anos. Rio de Janeiro: Dantes, 1999, pp. 211-263.

SALIBA, Elias Thomé. Raízes do Riso: a representação humorística na história brasileira – da Belle Époque aos primeiros tempos do rádio. São Paulo: Companhia das Letras, 2002.

Saiba Mais – Site:

“Dos sertões desconhecidos às cidades corrompidas: um estudo sobre a obra de João de Minas (1929-1936)” (USP, 2008). De Leandro Antonio de Almeida. Disponível em www.rhbn.com.br/joaominas

“Leituras de Jantando um Defunto”. Revista de História, DH-USP, nº 155, 2º semestre de 2006, pp. 261-282. Disponível em www.rhbn.com.br/jdefunto

As lições de Claudia

Claudia era órfã de pais, e tinha um vasto prédio colonial na Rua da Alfândega.

Era uma escritora, gênero moderno.

Publicava artigos remunerados, nos Diários Associados, semanalmente no O Cruzeiro, ensinando o seu sexo a ser feliz.

Ultimamente o seu nome inchara, em plena evidência, depois da viagem ao Norte.

O Dr. Aldo Fonseca, governador do Rio Grande do Norte, e não menos feminista, lhe oferecera um banquete.

Claudia voltou ao Rio dando entrevistas, e discutia a entrada das saias para a Academia Brasileira de Letras.

Ela era candidata.

Por cima de tudo isso, não era feia. Tinha fé – não nos destinos humanos, ou no espírito, ou na alma, ou nos ideais e princípios – mas fé na carne, fé na matéria, fé na lama darwiniana.

Sim, Claudia era muito prática.

As suas narinas às vezes tremiam, chupando no ar cheiros fecundos, caprinos, esses odores da libido que esvoaçam nos ambientes aquecidos.

Que delícia!

Ela então fazia como os bodes, de ventas universalmente arreganhadas, os olhos bêbedos de volúpia.

De vez em quando, a ilustre escritora matriculava-se na Escola Normal.

Não fazia exames nem nunca pretendera diplomar-se.

Para quê?…

Ela se matriculava só para remoçar, para ser aluna, para ser estudante.

Que vidão!

Podia assim estar na intimidade dessas meninas fresquinhas, doiradas uvas e maçãs humanas, e que lá um dia, de repente, se viam mulher, com o sexo e o bico dos seios coçando.

Claudia oficialmente era a vampira dessas jovens sarapintadas de divindade, como que redondinhas Nossas Senhoras, rijamente imaculadas, com o ventre de veludo digno de receber a concepção brocha do Espírito Santo.

A famosa literata gostava de emporcalhar essas santas estúpidas, ainda com a ingenuidade do irracional, ensinando-lhes as mais refinadas patifarias.

Essas lições eram em lugares finos, quartos de casas de rendez-vous, com bebidas e cigarros, cocaína, frutas.

Para esse fim, Claudia tinha até aparelhos de borracha, órgãos sexuais fabricados na Argentina.

Ela – a César o que é de César! – sabia vencer, impunha-se, como uma aranha de ópio.

A mulher carioca aos 22 anos, Ed. Dantes, 1999. pp. 15-16.

 

Publicado Originalmente em:

ALMEIDA, Leandro Antonio. Sertanista, Político ou Pornógrafo. Revista de História da Biblioteca Nacional. n. 47. 1 ago 2009. p. 76-80. Disponível em http://www.revistadehistoria.com.br/secao/leituras/o-profeta-pornopolitico