O presidente Luis Inácio Lula da Silva aprovou um projeto de lei que amplia o período de licença maternidade de quatro para seis meses. Será uma decisão do empresário adotá-la ou não, pois a lei que entrará em vigor em 2010 é facultativa, valerá apenas para as empresas que ingressarem no programa Empresa Cidadã. (Fonte : http://www.sebraesp.com.br)
Durante décadas, grupos feministas questionaram a sociedade tradicional que dentre muitos defeitos, reduzia a mulher a um ser frágil e na maioria das vezes as relacionava a um contexto de ambiente familiar. Porém as conquistas realizadas, como a nova licença-maternidade são tratadas com descaso por pessoas do próprio sexo feminino. “Depois que a mulher saiu de casa, a família deixou de existir” falou a gerente de umas das lojas de Cachoeira, Roquelina Bispo, 42 anos, que não concorda com a ampliação da licença. Ela argumenta que o recém nascido pode ficar aos cuidados de qualquer pessoa, a presença ou não da mãe, não influi. “A criança só teria consciência quando estivesse maior, essa lei é desnecessária” acrescentou ela.
Como a lei será opcional, surge um outro problema: como convencer os donos de empreendimentos a concordarem com a dispensa de suas funcionárias durante seis meses? De acordo com a vendedora Marli Santos, 28 anos os empresários, não querem dar nem três meses de descanso. Imaginem seis? “Conheço lugares em Cachoeira onde as mulheres são proibidas de engravidar, quando acontece é motivo de discussão entre a empregada e o seu chefe” contou Marli que ainda acrescentou “Se a lei fosse obrigatória, acho que só iriam ter oportunidade de trabalho as mulheres estéril”.
Cuidar da casa e da família em detrimento de uma realização profissional ainda é uma opção adotada por muitas mulheres. A balconista Sandra Lima, 26 anos, tinha o sonho de ser professora, mas a gravidez e o casamento retardaram o desejo. “A família, independentemente do trabalho vai estar com a gente sempre” argumentou ela. Hoje, trabalhando no comércio de Cachoeira, a balconista reclama do baixo salário oferecido às mulheres em comparação com o sexo masculino e opina sobre a nova lei de licença maternidade: “A mulher vai ficar muito tempo fora, isso é bom para nós, mas acho que o patrão não vai ficar satisfeito com isso, acho difícil ele aderir a esta lei”.
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Ilani Silva


setembro 18, 2008 - 14:38
É absurdo pensarmos que a presença da mãe nos primeiros meses de vida da criança é algo dispensável. Os cuidados com a criança, a importância da amamentação e dificuldade encontrada em confiar a terceiros os cuidados de um bebê é sim, uma realidade que deve ser levada em consideração. Devemos abandonar a pragmática idéia de que esse é um direito abusivo, pois imprópria é exploração do homem pelo homem, rotineiramente verificada nas relações entre patrões e empregados. Devemos agora, dar mais um passo adiante, reividicando pela adoção dessa lei por parte dos empregadores.