A religiosidade é um assunto que não está distante dos jovens, eles são na verdade o grande alvo, e têm pensamentos e opiniões próprias a respeito da fé, da crença. Como têm se comportado os jovens diante das muitas religiões que existem? Muitos têm a independência de se definirem como ateus, outros não têm a preocupação de se definirem religiosamente, mas a grande maioria dos jovens se declara adepta de alguma crença. Ainda que não sejam tão dedicados, quanto à freqüência de missas ou cultos, quanto à doutrina da religião, eles assumem uma identidade religiosa, principalmente sob a influência da família.
Fred Santiago, 20 anos, estudante do curso de História, diz não acreditar em divindades e em nenhum intelecto sobrenatural. Diferentemente de sua família que é de tradição judaica-cristã, Fred é ateu. “Em uma parte da minha vida eu comecei a ler muito e comecei a ver as incongruências entre o que a religião professa e o que os sacerdotes fazem. Eu entendi que ao longo da história as religiões foram criadas pelos homens para controlar os próprios homens”, explica Fred.
Tomar seu próprio norteamento, definir sua própria verdade, é um desafio para o jovem. A professora de informática Cíntia Pereira, 21 anos, tomou sua decisão sozinha. Sem a influência da família, tornou-se evangélica. No início só freqüentava os cultos, mas aos dezoito anos “aceitou Jesus”, e se converteu ao protestantismo.
Algumas igrejas têm cultos específicos para jovens, grupos de atividades artísticas e de lazer, como dança, teatro, música, tudo com a finalidade de atrair os adolescentes, e desfazer a idéia de que a religião torna a vida chata, cheia de regras e sem prazer.
Apesar da autonomia que os jovens presumem possuir para fazer suas escolhas, a influência da família é inquestionável. Tanto Sara Regina Oliveira, 22 anos católica e Zenilda Santana, 20 anos, adepta ao candomblé, seguiram as religiões de seus pais. “Minha família é toda do candomblé. Meu pai era do candomblé, minha mãe é. Desde pequena freqüento o candomblé. Aos sete anos de idade achava lindos os orixás, e desde cedo eu dizia que eu ia fazer a cabeça, que ia fazer o Santo”, diz Zenilda.
O jovem Bruno de Souza, diz sofrer preconceito por ser espírita. “Nem todos os jovens buscam um ideal religioso para suas vidas. Acham que a gente só deve entrar na religião quando estiver velho”, afirma Bruno. O espiritismo lhe deu amadurecimento e há oito anos ele participa das reuniões no Centro Espírita Consolador dos que Sofrem, em São Félix. Aprendeu com o espiritismo a pensar antes de falar e se preocupar mais com o próximo. Assim como Bruno, Fred, por ser ateu, também sofre preconceito. Segundo ele, as pessoas gostam de exaltar suas religiões. Por isso em algumas discussões, Fred sempre diz: “Respeite minha descrença, que eu respeito a sua crença”.
Diferentes caminhos, mas uma única intenção: determinar o que é melhor para suas vidas, se ser ateu, católico, espírita, evangélico, candomblécista, ou qualquer outra religião. O que os jovens querem ou não querem é estabelecer seu posicionamento, sua opinião dentro da sociedade.
Por Aline Santos e Maiane Matos
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