As vendas de final de ano estão desanimando os comerciantes de Cachoeira, que já consideram esse o pior natal dos últimos anos. “Trabalho no comércio há 10 anos e nunca vi tão pouco movimento como esse ano. Em dezembro, costumamos contratar duas funcionárias para a loja, mas esse ano não foi necessário”, conta Ana Lúcia Fernandes, dona de uma loja de roupa de Cachoeira.
A explicação pela queda das compras está relacionada principalmente às casas de concessão de crédito, que não estão liberando crédito, e à divisão do pagamento do décimo terceiro, “A inadimplência está muito alta, as linhas de crédito estão retendo o dinheiro, evitando que ele circule. Além disso, a divisão do pagamento do décimo terceiro prejudicou os consumidores”, diz Indaiá Moreira, secretária executiva da CDL (Câmara dos Dirigentes Lojistas).
O comércio de Cachoeira recebe também consumidores das cidades vizinhas como Maragogipe, São Félix, Conceição da Feira e Muritiba. Porém, os cachoeiranos costumam se deslocar para o comércio de Feira de Santana, devido à maior variedade e menor preço. “No feriado municipal do dia 08 de dezembro, já é de costume as pessoas irem para Feira de Santana fazer compras.”, conta Indaiá Moreira.
Outro problema para o comércio cachoeirano é a feira de roupas. A feira costumava funcionar em Cachoeira, mas, recentemente, foi transferida para São Félix. Se, por um lado, ela prejudica os lojistas por vender roupas a um menor preço, por outro, sua transferência para a cidade vizinha diminuiu o fluxo de dinheiro que circula na cidade.
“A feira recebe pessoas de Maragogipe e outras cidades vizinhas. Com sua saída, Cachoeira perdeu muito, pois o dinheiro ficava retido aqui. Quem vai a feira tem outras despesas, como de alimentação, transporte.”, afirma Indaiá.
Por Gislene Mariano

