Crise na economia global gera instabilidades localizadas

Postado em 27 dezembro 2008 por Vanhise Ribeiro

O baixo volume de vendas e a queda dos preços de materiais recicláveis são reflexos de que a crise econômica mundial já afeta determinados ramos da economia no local. Em Muritiba, a AR Ambiental Reciclagem Ltda. vem sentido, desde novembro, o pessimismo do mercado de produtos recicláveis, com aumento do volume de vendas de produtos primários, a exemplo do minério de ferro e da chapa de aço.

A explicação para isso deve-se, em grande medida, à diminuição dos preços desses produtos, que desequilibra a competição com os produtos recicláveis. Conforme Rubens Mafra, microempresário e dono da única empresa de reciclagem de Muritiba, “com a baixa dos preços do minério de ferro a sucata despenca também”.

Há 10 anos no ramo da reciclagem, Mafra alega que o momento é um dos mais delicados, já que a carga tributária sobre a compra, venda e faturamento dos produtos que comercializa é muito alta e a falta de incentivo do poder público também são grandes problemas enfrentados pelos empresários do ramo.

A AR Reciclagem trabalha apenas com a coleta, seleção, enfardamento e distribuição dos materiais recicláveis (metal, papel, plástico e suas variedades). A comercialização implica também na distribuição desses materiais às empresas que trabalham diretamente com a sua transformação. Santo Amaro, Feira de Santana, Salvador e até São Paulo são os destinos dos materiais coletados em Muritiba e cidades circunvizinhas.

Segundo o pequeno empresário, as empresas recolhedoras são as que mais sofrem com a carga de impostos. “Em qualquer mercadoria já está embutido o preço das embalagens. Os custos do produto já estão pagos e o seu destino é o lixão. Pagamos duas ou mais vezes impostos em um material que iria para o meio ambiente. Se não há isenção, o mínimo era a redução dos impostos” fala Mafra.

Sua empresa, que a princípio possuía 13 funcionários, conta atualmente com apenas seis. O volume de vendas é muito reduzido, cerca de 15 toneladas/mês. “Infelizmente não tenho boa produção, um dos problemas é que o volume é pequeno e o custo é alto. Ainda existe a exigência por qualidade, as empresas não aceitam materiais vindos de lixão, devido a sujeira”.

Rubens Mafra alega que o maior volume de material, principalmente papelão, é gerado pelos supermercados da região, mas também compra bastante material das mãos de catadores. Com a crise e os baixos preços dos materiais recicláveis, seus fornecedores também passam a sentir as conseqüências.

Para 2009, Mafra acredita que implantar uma coleta seletiva a partir da criação de uma associação de reciclagem daria um grande impulso para o ramo, além da geração de emprego e renda. A intenção é firmar uma parceria com a GOVERMA (empresa de reciclagem de Governador Mangabeira) e solicitar o apoio dos municípios envolvidos. Para isso, um dos grandes desafios é  incentivar a coleta seletiva nos municípios.

Por: Vanhise Ribeiro

EFEITOS DA CRISE:

Alumínio
Antes da crise comercializado por 2,50/3,00 REAIS o Quilo, atualmente por R$ 1,50.

Ferro
Antes da crise comercializado por 0, 22 CENTAVOS DE REAL o Quilo, atualmente por R$ 0,08.

Papelão
Antes da crise comercializado por 0,20 CENTAVOS DE REAL o Quilo, atualmente por R$ 0,10.

Papel
Antes da crise comercializado por 0,15 CENTAVOS DE REAL o Quilo, atualmente por R$ 0,05.

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4 Comentários Para Este Artigo

  1. Raimundo Oliveira dos santos Disse:

    lamentavelmente,e quem sofre com isso é o ambiente.Boa matéria,acredito que você está no caminho certo.Seu texto está bem redigido,coerente e contextualizado com o momento da nossa região.Parabens e continue.

  2. moabe Disse:

    eu tenho um ferro velho em queimado no rj e nao sei oque fase com esta baixa esto pensado em ate feicha o ferro velho sera que vai demora muito a melhora esta situasao.

  3. Vanhise Ribeiro Disse:

    Pois é Raimundo, o que se percebe, mesmo numa região tão enfraquecida economica e politimente, é que também estamos submetidos a crises de repercussões globais. A receita para superar uma crise como essa é engajamento e incentivo, principalmente por parte do poder público. O meio ambiente, como você mesmo disse é quem sempre fica em segundo plano, não merecendo a devida atenção. Mas são em discussões como essas que podemos mostrar nossa indignação com a situação atual e, quem sabe, modificarmos também as nossas práticas cotidianas a medida que percebemos o quanto o nosso lixo pode ser luxo e dar lucro. No mais, obrigada pelo incentivo!

  4. Vanhise Ribeiro Disse:

    Olá Moabe, não sou cientista econômico para prever a duração de uma crise como esta. Contudo, pelo que posso constatar é que não existem previsões, mas sim muitas expectativas de que esse momento turbulento na economia passe. Infelizmente o período não é mesmo um dos melhores para o setor e a deslavorização da sucata é uma realidade dura para o ramo em que trabalha. Talvez firmar parcerias público/privadas e/ou priorizar os matérias racicláveis que dão lucro razoável em relação às suas despezas, possam ser possíveis soluções. Espero que possa ter contribuido.

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