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“Dormindo com o inimigo”

Postado em 18 setembro 2008 por Tamires Peixoto

‘Você vai crescer, casar, ter filhos e ser uma excelente dona de casa’. Até a década de oitenta, muitas mulheres cresciam ouvindo essa frase. Mas as transformações na sociedade mudaram essa ’norma’ de educar as meninas. Mulheres hoje competem com homens dentro e fora de casa, mesmo enfrentando preconceitos e discriminações. Cresce as  “oportunidades” dadas a mulher, cresce também um dos maiores problemas enfrentando pelo “sexo frágil”: a violência doméstica.
Segundo uma pesquisa realizada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia Estatística), em 1988, 63% das vítimas de violência familiar eram mulheres, e em mais de 70% dos casos o agressor era o próprio marido. Em 2001 a Fundação Perseu Abramo realizou a pesquisa e constatou que 43% das mulheres brasileiras já tinham sido vítimas de algum tipo de agressão doméstica.

Em São Félix os casos de violência contra a mulher também fazem parte das ocorrências na Casa de Detenção. A cidade ainda não possui nenhum órgão de proteção às mulheres. Apenas a Delegacia presta este serviço.  “Todos os meses, duas ou três queixas são feitas por mulheres que foram agredidas ou estão sendo ameaçadas pelos seus companheiros”, declara Kátia da Cruz Santos, escrivã da Delegacia. E acrescenta: “Mês passado um homem foi preso em flagrante. No momento em que a vítima estava fazendo a ocorrência, os policias foram até o local e prendeu o acusado. Ele está preso até hoje”.
A Lei 11.340/06, conhecida como Lei Maria da Penha em homenagem a Maria da Penha Maia Fernandes que, por vinte anos, lutou para ver o seu agressor preso, protege as mulheres das agressões e/ou ameaças, ao mesmo tempo em que dá às mesmas, coragem para denunciar àqueles que as violentam.
A escrivã ainda ressaltou que com a lei Maria da Penha, diminuíram as denúncias, principalmente em São Félix. Mas infelizmente outros motivos fazem com que muitas vítimas não registrem a ocorrência. “Muitas delas são sustentadas pelo marido e isso faz com que elas deixem de lado a agressão, com medo da separação”.
Dentre preconceitos e agressões o sexo feminino vem lutando e mostrando que não tem nada de frágil.

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Maiane Matos

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