Do senador César Borges à deputada comunista Alice Portugal, o descontentamento era o mesmo. Na reunião ocorrida na Câmara dos Deputados com a bancada baiana para discutir o orçamento de 2010, sobraram críticas à postura do INEP, que, mesmo sem ter avaliado a UFRB, divulgou uma lista em que a federal do Recôncavo era mostrada como uma universidade deficiente.
Presente ao encontro, o reitor Paulo Gabriel explicou aos parlamentares que a UFRB nunca foi avaliada.
O INEP avaliou, na verdade, o curso de agronomia e, mesmo assim, em 2007. Os alunos do curso de agronomia foram formados pela UFBA, às vésperas de suas formaturas foram transferidos para a UFRB, que absorveu o curso da UFBA. O seja, fizeram o curso na UFBA e foram avaliados quando entraram na UFRB.
O tempo fechou entre o INEP e os parlamentares baianos e sobraram críticas à atitude do instituto que divulgou a nota do curso de agronomia como se isto fosse a avaliação da universidade inteira.
Os parlamentares criticaram os prejuízos causados pelo instituto à imagem da UFRB, uma vez que somente em 2011 os seus formandos serão, de fato, avaliados.
No Estadão, o reitor Paulo Gabriel bateu forte no INEP e afirmou tratar-se de uma “aberração estatística”.
O reitor tem razão. É uma irresponsabilidade divulgar a nota de 1 curso como se fosse a avaliação dos quase 40 cursos oferecidos pela instituição.
O INEP deve se preparar para apanhar da bancada baiana que também está de olho no Ministro da Educação, Fernando Haddad.
É que o ministro sabe que a avaliação restringiu-se ao curso de agronomia, mas, em particular, utiliza-se da “avaliação” para negar aos parlamentares mais investimentos na ampliação das universidades federais baianas.
Agora, com a “aberração estatística” revelada, Haddad não pode mais usar este artifício para privilegiar outros estados, como vinha fazendo.
A reclamação da bancada deve chegar aos ouvidos do presidente Lula.
Por Charles Carmo*
* Charles é assessor parlamentar.

