No Brasil fala-se bastante em democracia. Segundo Aurélio Buarque de Holanda Ferreira esta palavra denota regime político baseado nos princípios da soberania popular e da distribuição eqüitativa do poder, governo do povo. E para o povo, democracia está agregada às expressões: liberdade de escolha e justiça. Mas como falar em democracia se as pessoas não têm o direito de escolher se votam ou não? Será que a maioria dos brasileiros decidiu e concorda com isso?
O voto obrigatório no Brasil foi implantado com o código eleitoral de 1932 e após dois anos, transformado em norma constitucional. Numa democracia o voto facultativo é visto como o mais adequado, mesmo reduzindo a quantidade de eleitores que iriam até as urnas expressar sua opinião. Porém, as pessoas mais conscientes continuariam a votar, o que qualificaria as eleições.
Quantos eleitores anulam o voto por não quererem votar? Quantas pessoas precisam pegar filas enormes para votar em branco ou anular o voto somente para não criar problemas com a justiça? Quantos cidadãos votam por votar? Quantos vendem o voto? É incalculável o número de pessoas que não gostam de política e não querem se envolver, mas devido à lei devem no primeiro domingo do mês de outubro atravessar um rio, por exemplo, e votar nulo.
Por enquanto, a obrigatoriedade do voto é fato. Então, os cidadãos deveriam agir como uma colônia de formigas, buscando sempre a melhoria de todos e não a individual. As formigas sim, são admiradas pela organização e disciplina, mesmo sendo irracionais, elas cumprem suas obrigações, e são unidas. Se os eleitores agissem como esses insetos, operando coletivamente e votando com sabedoria, já que esse ato é importante, decidiriam com mais coerência o futuro da localidade em questão.
Política não é uma coisa séria. A política é séria. Mas ainda existem interessados na manutenção do voto obrigatório, aqueles que fazem da política uma coisa sem seriedade: os políticos do atraso e os antigos coronéis que precisam do voto daqueles que são menos esclarecidos. Não podendo esquecer os grandes empresários que fazem campanhas dentro do próprio empreendimento, ameaçando os funcionários, caso eles não votem no candidato pedido.
A constituição garante a liberdade de expressão de cada indivíduo. O ato de não querer votar deveria ser permitido, afinal, onde está a liberdade deste país?
Por Calila Oliveira