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Mestrado de Ciências Sociais oferece curso sobre a formação conceitual de África

O Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais: Cultura, Desigualdades e Desenvolvimento e o Mestrado Profissional em História da África, da Diáspora e dos Povos Indígenas, com apoio institucional do Centro de Artes, Humanidades e Letras, oferecem o minicurso Ciências Sociais e Objetos Periféricos: a Formação Conceitual de África, a ser ministrado pelo Prof. Dr. Elísio Salvado Macamo. O evento será realizado entre os dias 23 e 26 de fevereiro de 2015, das 17 às 19 horas, no auditório do Quarteirão Leite Alves.

No primeiro dia do minicurso será realizada a mesa-redonda intitulada Onde está a África no Brasil? Intelectuais e Identidades Nacionais, com participação dos palestrantes Prof. Dr. Elísio Macamo, Profa. Dra. Eliane Veras Soares e Prof. Dr. Osmundo Pinho. A mesa-redonda ainda contará com a participação do Prof. Dr. Kabengele Munanga, na qualidade de debatedor. Os expositores tratarão das relações entre Brasil e África, a partir de uma visão crítica às perspectivas de intelectuais como Joaquim Nabuco e Gilberto Freyre. Outras temáticas, como as afinidades e diferenças entre as literaturas africanas e brasileiras, também serão questões debatidas no encontro de abertura de minicurso.

Os palestrantes e o moderador da mesa-redonda são acadêmicos de atuação no cenário nacional e internacional. Elísio Macamo, moçambicano, é sociólogo e professor associado de estudos africanos na Universidade de Basileia, onde é também diretor do Centro de Estudos Africanos. As suas áreas de pesquisa, todas elas voltadas para o continente africano, incluem a religião, a política, o desenvolvimento e a tecnologia e o risco no cotidiano urbano, entre outras. É autor de várias obras individuais e coletivas sobre este leque temático. É coeditor da Revista Africana de Sociologia e da série de livros de Estudos Africanos da editora Brill na Holanda. É membro da direção das Associações de Estudos Africanos da Alemanha e da Suíça e membro do Conselho do International African Institutede Londres.

Eliane Veras Soares é professora do Departamento de Sociologia e do Programa de Pós-Graduação em Sociologia na Universidade Federal de Pernambuco. Tem interesse em pensamento social brasileiro, sociologia das sociedades africanas e literatura, em especial, literatura africana.

Osmundo Pinho é doutor em ciências sociais pela Unicamp (2003), tendo realizado estagio pós-doutoral (Estágio Sênior-CAPES, 2013-2014) no African and African Diaspora Departament Studies da Universidade do Texas em Austin.  É professor nos Programas de Pós-Graduação em Ciências Sociais e História da África e da Diáspora do Centro de Artes, Humanidades e Letras da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, em Cachoeira; e do Programa de Estudos Étnicos e Africanos da Universidade Federal da Bahia.  Seus principais interesses de pesquisa se referem às relações raciais e à cultura negra, assim como aos estudos de gênero e masculinidade, notadamente em suas articulações com o Estado, o Mercado e a Modernidade. Recentemente tem trabalhado com a construção do Estado e a regulação de gênero em Moçambique, assim como com a produção de subjetividades masculinas racializadas no contexto da escola pública na Bahia.

Kabengele Munanga possui graduação em Antropologia Cultural pela Université Officielle du Congo à Lubumbashi(1969), Doutorado em Ciências Sociais (Antropologia Social) pela Universidade de São Paulo (1977). Professor Titular da Universidade de São Paulo, atualmente é Professor Visitante da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, atuando nos Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais: Cultura, Desigualdades e Desenvolvimento e no Mestrado Profissional em História da África, da Diáspora e dos Povos Indígenas. Tem experiência na área de Antropologia, com ênfase em Antropologia das Populações Afro-Brasileiras, atuando principalmente nos seguintes temas: racismo, identidade, identidade negra, África e Brasil.

O minicurso Ciências Sociais e Objetos Periféricos: a formação conceitual de África propõe uma discussão sobre a metodologia das ciências sociais tendo como ponto de partida a constituição de África como objeto de estudo. Ao invés de centrar a sua atenção no debate sobre as diferenças entre as ciências sociais e as ciências naturais, o minicurso reconceitualiza o momento fundador das ciências sociais como tendo sido a discussão sobre como a ciência, dum modo geral, constitui o seu objeto. Dito de outro modo, o momento fundador das ciências sociais não foi necessariamente a tensão entre o nomotético e o ideográfico, mas sim a forma como pela definição conceitual se constitui um campo de pesquisa que dá visibilidade a certos fenómenos em detrimento de outros. Este processo de formulação conceitual está na origem das opções teóricas e analíticas responsáveis pela visibilidade que certos objetos ganham e determina, ao mesmo tempo, os modos de inteligibilidade que permitem enunciados a seu respeito.

Esta abordagem permite um melhor entendimento não só das condições de emergência de África como objeto de estudo das ciências sociais como também das limitações das abordagens teóricas, metodológicas e analíticas que têm vindo a ser empregues para o seu estudo. Neste sentido, uma análise cuidada de África como objecto de estudo pode criar sensibilidade para os desafios enfrentados pelas ciências sociais ao mesmo tempo que pode criar bases para uma melhor compreensão do que precisa de ser feito para o aprimoramento dos instrumentos à disposição das ciências sociais.

É assim que o minicurso propõe três grandes grupos temáticos:

1.         Ciências sociais e a realidade

2.         Formulação conceitual

3.         Soberania conceitual

O primeiro grupo temático, nomeadamente (a) ciências sociais e a realidade, consiste num recuo histórico que analisa os debates constitutivos das ciências sociais e, em particular, da sociologia. O recuo destaca a prática da sociologia no século XIX como sociologia comparativa (Weber, Durkheim) e discute a relação entre esta, por um lado, e a jurisprudência e a antropologia social/cultural, por outro. O objetivo do recuo é de proporcionar aos participantes uma outra grelha de leitura dos chamados clássicos da sociologia, grelha essa que destaca o processo através do qual as ciências sociais se constituíram, na sua relação com o mundo, como formas de produção de conhecimento pouco interessadas na compreensão da história que constituiu o mundo tal e qual ele é. Como será demonstrado, um dos maiores problemas enfrentados pelas ciências sociais na sua relação com o mundo não-europeu deriva justamente desta falta de interesse.

O segundo grupo temático, a saber (b) formulação conceitual, debruça-se sobre o vocabulário das ciências sociais e procura, a partir dele e numa perspectiva contrafactual, entender o processo através do qual certos mundos foram inviabilizados ou silenciados pela linguagem das ciências sociais. Levantam-se questões relacionadas com o chamado “nacionalismo metodológico” e com o desafio da neutralidade e objetividade. O objectivo, ao se levantarem estas questões, é de problematizar a forma como na sua relação com o mundo não-europeu as ciências sociais se constituíram como instrumentos de disciplinarização através da submissão das realidades sociais e culturais do resto do mundo ao projecto teleológico de redução da pluralidade história à trajetória histórica ocidental.

O terceiro grupo temático, isto é, (c) a soberania conceitual, analisa discursos alternativos de origem não-europeia. Esses discursos incluem, por exemplo, os estudos subalternos, o pós-colonialismo, a colonialidade do saber, entre outros, e podem ser resumidos naquilo que Boaventura de Sousa Santos chamou de “epistemologias do sul”. O objetivo desta análise é de apreciar o potencial e os limites da crítica ao conhecimento e dotar os participantes de instrumentos teóricos e analíticos que lhes permitam abordarem o processo de produção de conhecimento sem necessariamente atirarem fora o bebê com a água do banho.

Os objetivos pedagógicos do minicurso podem ser resumidos da seguinte maneira:

•          Os participantes vão se familiarizar com factos sobre o contexto histórico de emergência das ciências sociais;

•          Os participantes vão se inteirar de ideias cruciais no processo de formação das ciências sociais;

•          Os participantes vão munir-se de instrumentos práticos que lhes permitam interpelar o conhecimento metropolitano.

            O minicurso e a mesa-redonda estão abertos ao público em geral, aos estudantes, docentes e servidores técnico-administrativos da UFRB. As inscrições podem ser feitas entre os dias 29/01/2015 e 23/02/2015 (até o meio-dia da data de encerramento das inscrições) pelo endereço eletrônico Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

Fonte: Site do cahl. Disponível em: http://www.ufrb.edu.br/cahl/eventos-136/1372-mestrado-de-ciencias-sociais-oferece-curso-sobre-a-formacao-conceitual-de-africa

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