Guia da UFRB orienta uso ético da inteligência artificial
Publicação gratuita reúne orientações para estudantes, docentes e técnicos-administrativos sobre o uso crítico, transparente e seguro da tecnologia no ensino, na pesquisa, na extensão e na gestão universitária.
A Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) lançou o Guia de Uso Ético e Responsável da Inteligência Artificial na Universidade Federal do Recôncavo da Bahia. Apresentada durante o Simpósio de Graduação (SimGrad 2026), a publicação oferece referências para a incorporação responsável da inteligência artificial às atividades acadêmicas e administrativas.
O documento foi elaborado por um grupo interdisciplinar formado por 11 docentes, com representantes de diferentes Centros de Ensino e áreas do conhecimento da Universidade. Instituído pela Portaria da Reitoria nº 1.299, de 28 de outubro de 2025, o grupo reuniu experiências e referências nacionais e internacionais sobre inteligência artificial, educação, integridade acadêmica e gestão pública.
Participação do CECULT
O CECULT está representado entre os autores pelo professor Kaio Eduardo de Jesus Oliveira, integrante do corpo docente do Centro.
O grupo responsável pela elaboração da publicação foi coordenado pelo professor da UFRB Eniel do Espírito Santo, vice-coordenador do curso de Pós-Graduação Lato Sensu em Educação e Tecnologias Digitais, modalidade a distância, ofertado no âmbito do CECULT.
A participação do Centro também está presente na identificação bibliográfica da obra. A ficha catalográfica foi elaborada pelo bibliotecário José Raimundo Paim de Almeida, chefe da Biblioteca Universitária Zilda Paim.
Um guia para toda a vida universitária
A publicação não restringe a inteligência artificial às ferramentas generativas que produzem textos, imagens, áudios ou códigos. O conteúdo também apresenta conceitos relacionados a modelos preditivos, discriminativos e multimodais, além de discutir os impactos dessas tecnologias nos processos acadêmicos, administrativos e decisórios.
O guia adota como princípios a centralidade humana, a transparência, a responsabilização, a não discriminação, a equidade, a privacidade, a proteção de dados, a integridade acadêmica, a sustentabilidade e a inovação responsável.
A orientação central é direta: a inteligência artificial deve funcionar como instrumento de apoio, sem substituir o pensamento crítico, a autoria, a avaliação ou a responsabilidade humana.
Orientações que merecem atenção
- Autoria e responsabilidade: sistemas de inteligência artificial não devem ser indicados como autores ou coautores. A responsabilidade pelo conteúdo e pelos resultados permanece com a pessoa que utiliza a ferramenta.
- Transparência: o uso de inteligência artificial generativa em produções acadêmicas deve ser declarado, com a identificação da ferramenta utilizada e de sua finalidade.
- Verificação das informações: textos, dados, referências e citações apresentados pelas ferramentas devem ser conferidos em fontes confiáveis. Respostas plausíveis também podem conter erros, informações inventadas ou vieses.
- Atividades acadêmicas: estudantes devem observar as orientações docentes, estudar previamente o tema e produzir seu próprio raciocínio e texto inicial. A inteligência artificial pode apoiar a organização e o aprimoramento formal, mas não deve substituir a elaboração autoral.
- Ensino e avaliação: o guia recomenda avaliações que valorizem o processo de aprendizagem, como versões intermediárias, portfólios, atividades contextualizadas e apresentações orais. Também desaconselha o uso de detectores automatizados de IA como fundamento isolado para decisões punitivas.
- Pesquisa e extensão: usos metodologicamente relevantes devem ser documentados. Resultados e representações produzidos com apoio de IA precisam de validação humana, com respeito aos participantes, às comunidades e aos saberes locais.
- Gestão universitária: a tecnologia deve apoiar o trabalho e a tomada de decisão, sem substituir a responsabilidade dos agentes públicos ou produzir decisões integralmente automatizadas que afetem direitos acadêmicos, administrativos ou funcionais.
Proteção de dados exige atenção especial
Dados pessoais, sensíveis, sigilosos ou estratégicos da Universidade não devem ser inseridos em plataformas externas ou públicas de inteligência artificial. Nos usos institucionais, devem ser priorizados ambientes controlados e homologados, com supervisão humana, minimização de dados, registro e possibilidade de auditoria.
Documento aberto ao aprimoramento
O guia reconhece que as tecnologias de inteligência artificial estão em permanente transformação. Por isso, apresenta-se como um instrumento orientador dinâmico, aberto ao diálogo, à revisão e a futuras atualizações.
Mais do que ensinar a operar ferramentas, a publicação busca fortalecer o letramento em inteligência artificial: a capacidade de compreender seus limites, questionar resultados, identificar riscos e avaliar os impactos sociais, culturais, políticos, ambientais e éticos de seu uso.
Transparência desde a elaboração
A própria publicação inclui uma declaração sobre o uso de recursos de inteligência artificial generativa em sua preparação, limitado à produção de resumos de anotações e à revisão de coesão e coerência textual. Os autores informam que revisaram, editaram e validaram integralmente o conteúdo, mantendo a responsabilidade humana pela obra.
Acesse a publicação
O guia está disponível gratuitamente no Repositório Institucional da UFRB. Para referências acadêmicas e compartilhamentos, recomenda-se utilizar o endereço permanente do item.
Leia também
Inteligência artificial na vida acadêmica: ferramentas para estudar, pesquisar e produzir conhecimento, no site da Biblioteca Universitária Zilda Paim.
