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Pesquisa da UFRB discute acessibilidade da comunidade surda no atendimento psicológico

09/12/25 14:42 , 09/12/25 14:42 | 568
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Na psicologia, a comunicação entre paciente/cliente e profissional é elemento fundamental do processo terapêutico. Mas, e quando esse diálogo não é possível devido à falta de familiaridade com a Língua Brasileira de Sinais (Libras) por parte do psicólogo e pela inexistência de práticas institucionalizadas que garantam a acessibilidade da comunidade surda? Essa pergunta norteia o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) da psicóloga Gabriela Coelho, egressa da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB). 

Durante sua pesquisa, Gabriela analisou como a Psicologia tem produzido conhecimento sobre o uso de Libras e as condições de acolhimento no atendimento clínico. “O objetivo do meu trabalho foi analisar a produção científica sobre o acolhimento ao surdo e a utilização da Libras no contexto clínico psicológico”, explica. 

Os resultados encontrados apontam que a formação em Psicologia no Brasil não prepara adequadamente os futuros profissionais para atender pessoas surdas. Isso acontece porque a oferta de Libras não é uma exigência legal nas grades curriculares do curso, muitas vezes acontecendo apenas de forma optativa. “A ausência de psicólogos fluentes em Libras compromete o acesso ao atendimento e o direito do surdo ao acolhimento, já que a comunicação é o principal instrumento de trabalho da Psicologia”, ressalta a egressa.

Outro desafio trazido pela pesquisa é a presença do intérprete no atendimento terapêutico. “A presença de uma terceira pessoa modifica a dinâmica do atendimento, gerando desafios éticos, como o sigilo, e relacionais, como a construção de vínculo, espontaneidade na comunicação e qualidade da escuta clínica”, analisa Gabriela. 

A falta de acessibilidade constatada pela egressa não surpreende Josineide Vieira Alves, conhecida como Jô Alves, pesquisadora e professora do curso de Psicologia da UFRB. Para ela, a ausência de profissionais capacitados para um atendimento inclusivo repercute diretamente na garantia de direitos dos usuários. “Uma das implicações do trabalho de Gabriela é chamar a atenção para a negação do direito à saúde mental da população surda, na medida em que não falamos sua língua materna e impossibilitamos seu acesso ao atendimento psicológico e aos serviços de saúde”, reflete Jô, que orientou Gabriela em sua pesquisa. 

Formação diferenciada na UFRB

Apesar da ausência de Libras como disciplina obrigatória, o curso de Psicologia da UFRB tem buscado incluir o debate sobre surdez em sua formação. “O nosso curso tem um diferencial, que são os componentes que ministro: Psicologia, Educação Especial e Inclusão, que discute a surdez, e o componente optativo ‘Surdez e suas implicações’”, explica Jô Alves. Foi nesse componente, inclusive, que Gabriela despertou seu interesse pelo tema.

Além das discussões teóricas, a professora promove encontros dos estudantes com a comunidade surda e profissionais bilíngues para sensibilizar sobre a necessidade de aprender Libras. Para Jô, no entanto, a solução é estrutural. “O que devemos reivindicar é que o Ministério da Educação estabeleça a obrigatoriedade do ensino de Libras para todos os cursos de saúde, e que os currículos contemplem discussões sobre cultura e identidade surdas”, defende.

Para Gabriela, o contato com Libras foi um diferencial na formação. Ela pretende seguir estudando a língua com objetivo de se tornar uma profissional bilíngue. “O aprendizado da Libras e o contato com essa temática podem despertar o interesse dos futuros profissionais em aprofundar seus conhecimentos e contribuir para práticas mais acessíveis e inclusivas, assim como aconteceu comigo”, afirma a psicóloga.

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