Arquivo | Sua Opinião

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A faceta do jornalismo esportivo

Postado em 07 fevereiro 2010 por Gustavo Medeiros

Após o anúncio do retorno de Robinho ao futebol brasileiro, a grande mídia nacional mostrou a sua faceta: a propensão de transformar reportagens como essa em verdadeiros projetos de marketing e jornalismo de quinta categoria. Não há uma linha sequer na cobertura sobre o retorno do atacante da seleção ao Santos, gerada por uma nova quebra de contrato do ídolo da equipe que foi campeã brasileira de 2002.

Ainda em 2005, vestindo a camisa do Santos e com contrato em vigor (recebia um salário mensal de R$ 500.000,00), orientado por seu empresário, Robinho parou de treinar e jogar para forçar a sua venda para o Real Madrid. A transação chegou a R$ 32 milhões.

Depois de três temporadas no clube merengue, Robinho, orientado novamente pelo seu empresário, brigou com tudo e com todos para jogar na Inglaterra. O destino foi o Manchester City, que pagou aproximadamente R$ 70 milhões para ter o habilidoso atacante.

Mas 18 meses depois de assinar com o City, Robinho repete seu comportamento anti-profissional. O atacante fez “beicinho” para os ingleses e mesmo com um salário de R$ 1.800.000,00 por mês deixou claro que queria voltar para o Santos. O negócio foi fechado nesta quinta-feira.

Porém, mesmo com esse histórico, a imprensa nativa prefere o lugar comum e diz que agora o torcedor brasileiro voltará a assistir as pedaladas do atacante. Exceto a ESPN Brasil (sim, ainda existe esperança para o jornalismo esportivo), o tom das reportagens é o mesmo em qualquer veículo.

O jornalismo esportivo brasileiro nutre uma relação promíscua entre profissionais da imprensa e atletas. As reportagens, na maioria das vezes, parecem que foram feitas pelas assessorias de imprensa dos atletas. No caso de Robinho, percebemos claramente a ligação entre o departamento comercial e a redação. Com a chegada de Robinho, que assinou com o Santos até dia 04 de agosto, fica claro o interesse dos propagandistas da transação na venda dos pacotes de pay per view.

Recentemente, Roberto Carlos, ex-lateral da seleção e atualmente no Corinthians, revelou uma mágoa com o locutor Galvão Bueno. O jogador não engole a crítica feita pelo global no episódio do gol de Henry nas quartas-de-final da Alemanha, em 2006. O narrador da Vênus Platinada credita a derrota do Brasil a Roberto Carlos por ele ter ficado arrumando a meia enquanto a atacante francês entrava na área para marcar o gol que eliminou a seleção brasileira da Copa.

Em suas declarações, Roberto Carlos mostrou claramente que os atletas brasileiros não estão acostumados às críticas, pois o jornalismo esportivo brasileiro acostumou-se apenas ao afago.

Um ano após a Copa de 2006, em entrevista ao portal globo.com, Galvão afirmou saber que “aquela brincadeira na Suíça não ajudaria o Brasil na Alemanha”. Já que o profissional sabia, por que não falou antes? Por que não fez jornalismo e levantou a questão à época? Preferiu vender a idéia do hexa, lucrar com as cotas publicitárias e acreditar no “quarteto mágico”.

O esporte, principalmente o futebol, faz parte da cultura brasileira e a imprensa nativa precisa entender que não pode deixar de fazer uma cobertura crítica e atenta à verdade factual. O resto pode ser tudo, menos jornalismo.

Maurício Medeiros

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Xixi na rua proibido no Rio de Janeiro. E em Santo Antônio?

Postado em 04 fevereiro 2010 por Gustavo Medeiros

Problema que tem se tornado crônico na maioria das cidades de médio e grande porte do pais, o ato de fazer xixi na rua, passou a ser tratado com maior rigôr, pelo menos no Rio de Janeiro.Na Cidade Maravilhosa, de acordo com a nova lei, quem urinar em via pública pode ser preso em flagrante e passar de seis meses a até dois anos na cadeia.

A prova de fogo para a nova lei do xixi na ruas do Rio de Janeiro deverá acontecer durante o carnaval, quando nativos e turistas consomem cerveja à vontade e depois costumam se aliviar em qualquer cantinho mal iluminado.

Em Santo Antônio de Jesus, o velho hábito de fazer xixi em locais públicos também é uma constante. Moradores das imediações da Praça Padre Mateus tem reclamado constantemente e reivindicam providências para a constante visita de cidadãos mau civilizados ( homens e mulheres ) que, oriundos das barracas situadas no entorno da praça, desaguam sem qualquer pudor ao lado de veículos, estabelecimentos comerciais e até casas de família.

Sofrendo com o mau cheiro e tendo que gastar com detergente e sabão em pó para limpar a sujeira que outros deixam em suas portas, os moradores pedem que lei semelhante seja aplicada também aqui na Capital do Recôncavo.

Por Leo Valente

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Os exterminadores do futuro

Postado em 23 dezembro 2009 por Gustavo Medeiros

A cidade de São Paulo viveu horas de terror no último dia 08 de dezembro. As famosas chuvas do final de tarde paulistano trouxeram prejuízos e mortes. Mas a imprensa salientou nos jornais e na televisão que naquele dia ocorrera o maior volume de água desde 2004, período em que Marta ainda era prefeita.

A versão monocórdica tomou conta da imprensa que tenta de tudo para ungir Serra à presidência nas eleições de 2010. Enquanto os corpos de crianças e adultos eram retirados dos barrancos, o prefeito Gilberto Kassab (DEM) e José Serra (PSDB) se escondiam. O governador limitou suas declarações ao twiter, corroborando com as falas da mídia tucana.

Naquele mesmo dia, à noite, assisti ao Jornal das Dez, da Globo News, e acompanhei a entrevista da professora da FAU (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo) da USP, Raquel Rolnik, feita pelos jornalistas Carlos Monforte e André Trigueiro.

A professora afirmou que os problemas de constantes enchentes na cidade acontecem por alguns motivos: falta de escoamento pela grande quantidade de cimento e concreto; ocupação dos leitos dos rios; ausência de políticas públicas de habitação. Rolnik acrescentou que os paliativos não resolverão os problemas, que tendem a ficar cada vez maiores.

Após a fala da professora, Monforte, da sucursal de Brasília, perguntou o que poderia ser feito de real, que “saísse do campo do ideal”. Neste momento quase caio da poltrona. Como assim real, Monforte? Políticas públicas de habitação são o quê? Conto da carochinha? A professora foi clara. Discordar é uma coisa, mas chamar as propostas de inexeqüíveis é completamente diferente.

Depois, refeito do susto, entendi porque o experiente jornalista não consegue entender o que são políticas públicas de habitação. Como defensor dos moradores do Morumbi e adjacências, o tema não faz parte da pauta.

O governo Lula começa em breve a entregar os imóveis do Projeto Minha Casa, Minha Vida. Quem sabe, com o modelo tucano de governar, Serra não se convença e lance para os paulistanos o Minha Balsa, Minha Vida. Talvez dessa forma o trânsito paulistano melhore também.

Mas o pior ainda estava por vir. Uma semana após as mortes em São Paulo, José Serra foi ovacionado pela imprensa nativa em Copenhague, na COP-15. Ao lado do governador da Califórnia, ele pousou para fotos. Falar sobre o clima??? Nada!!!Após quase 16 anos de governo tucano e sucessivas tragédias, a pose com Arnold Schwarzenegger me lembrou que ambos são exterminadores de futuros.

Maurício Medeiros

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Onze de Dezembro: Onze anos de impunidade

Postado em 12 dezembro 2009 por Gustavo Medeiros

Sessenta e quatro mortos e uma triste sensação de impunidade no ar. Onze anos depois, os responsáveis e até aqueles que foram omissos com relação à situação seguem no mesmo compasso e as vítimas não foram indenizadas até hoje. A impressão que se tem é que o crime vai prescrever.

Marcam julgamento para um dia, marca para outro e assim vai indefinidamente. É arriscado algum réu acabar falecendo e o caso acabar sendo arquivado por falta de réu. A gente não consegue entender como a Justiça brasileira é tão lenta. Nós temos aqui um elefante branco chamado Projeto Fênix que serviu para enriquecer gente aqui – e é até meio complicado dizer nomes, mas todos sabem que teve gente que passou por esse projeto e mudou de vida. Foi a maior tragédia com fogos já acontecida na história desse país.

No ano passado disseram que o julgamento seria esse ano e neste ano dizem que vai ser ano que vem. Nós gostaríamos de parar de falar nesse assunto mas foram sessenta e quatro vítimas fatais, na sua grande maioria mulheres e crianças vítimas da exploração no trabalho. De lá pra cá pelo menos outras dez pessoas já faleceram em acidentes com fabricação clandestina de fogo – prova de que pouco ou nada se aprendeu desde que a tragédia aconteceu há onze anos atrás.

Na verdade, o histórico de acidentes com fogos em Santo Antônio de Jesus é antigo e volta e meia aparece alguém procurando a nossa reportagem para relatar vítimas fatais de acidentes ocorridos há até vinte anos atrás. A coisa é repetitiva, infelizmente. A única pergunta que fica, porém é: até quando?

Por Blog do Valente

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Negócio com o inimigo

Postado em 30 outubro 2009 por Gustavo Medeiros

Deflagrada recentemente, a campanha midiática a favor da moralização do Senado deveria ser encampada por todos os brasileiros. Porém, quando analisamos as digitais dos organizadores da gritaria moralista surgem dúvidas sobre a legitimidade dos “revoltados”.

 No mês de junho, a Rede Globo lançou todo seu ódio ao presidente do Congresso, senador José Sarney (PMDB/AP), repercutindo diariamente supostos envolvimentos dele e de seus familiares nos mais diversos crimes de favorecimento.

No auge da “crise do Senado”, a bola da vez foi o senador Fernando Collor (PTB/AL), que travou forte embate com  Pedro Simon (PMDB/RS). Coincidentemente, os dois ex-presidentes foram alvos da já conhecida fúria global. Reportagens, debates no Fantástico,  nas novelas e  até o humorístico Casseta&Planeta foram utilizados pela Vênus Platinada em sua campanha de “moralização” do Congresso Nacional.

 Voltando no tempo, mais precisamente no final da década de 80, observamos que a cobertura jornalística da emissora carioca era completamente diferente. Sarney era o presidente e Collor governava o Estado de Alagoas. Todas as noites o Jornal Nacional apresentava o governador alagoano (ele nasceu no Rio de Janeiro) como o Caçador de Marajás.

O início de 1989 anunciava a primeira eleição direta para presidente do Brasil após o término da Ditadura Militar. O cadáver político de Sarney era renegado por todos. Sem opção, a Globo esqueceu Aureliano Chaves (representante do PFL e dos resquícios do golpe), Mário Covas (São Paulo não poderia ficar sem candidato e os tucanos ainda não eram os queridinhos da Familia Marinho), Afif Domingos (aquele do bordão famoso “juntos chegaremos lá”), Paulo Maluf (naquela época ele já estava queimado) e investiu na campanha do candidato “coLLorido”.

No segundo turno, após um primeiro pleito com 21 candidatos e dois cancelados pela Justiça Eleitoral (Sílvio Santos e Armando Correia, ambos do PMB), Lula e Collor seriam escolhidos pela população brasileira. O resto não precisa lembrar, porque como diz Mino Carta, até o reino mineral já sabe. Não é preciso ser nenhum articulista político para detectar os movimentos da família Marinho para se purificar da jornada coLLorida de 1989.

A campanha da Globo para defenestrar os dois senadores torna-se mais estranha  quando lembramos quem são os parceiros comercias do clã dos Marinho no estados de Alagoas e Maranhão. Na terra governada por Fernando Collor na década de 80, a retransmissora do sinal global é da TV Gazeta, canal 7, comandada pelo Grupo Arnon de Mello. No Maranhão, os embalos de Xuxa e os gritos de Galvão Bueno, por exemplo, são distribuídos pela Rede Mirante, comandada pela família Sarney.

A lógica global é simples: os negócios ficam à parte do escrúpulo daqueles que nós execramos todos os dias em nossa programação. Eles não servem mais para fazer política, mas são bons parceiros comerciais. Passar Bem!

 

Por Mauricio Medeiros

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Energia: a Bahia continua no caminho errado

Postado em 26 setembro 2009 por Coordenador

Por Francisco de Souza Fadigas*

Um dos assuntos mais preocupantes do momento com relação ao meio ambiente é sua preservação, e dentre tantas ações que as nações do mundo tem que tomar, uma das mais importantes é com a redução de emissões de CO2 e outros gases que promovem o efeito estufa.(1)

Na contramão da história, o Brasil investe pesadamente na instalação de termelétricas movidas a óleos derivados de petróleo, o que irá contribuir ainda mais para o aumento na concentração de CO2 atmosférica, sem falar dos gases promotores de chuva ácida, como óxidos de nitrogênio e enxofre (NOx e SOx) e dos poluentes secundários (peroxiacetil nitrato e ozônio) formados na atmosfera à partir de reações dos óxidos de nitrogênio.

Enquanto o Sul e Sudeste rejeitam termelétricas por questões ambientais, o Nordeste tem 40 projetos em andamento. Na prática, essa energia suja está sendo deslocada para o Nordeste porque não é mais aceita no Sul e Sudeste, os maiores consumidores de eletricidade do País. (2).

Some-se a isso o fato da grande maioria serem termelétricas que usam o óleo combustível B1, como fonte energética, o que implicará em danos ao meio ambiente e à sociedade como um todo. De acordo com o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, “as termelétricas a gás emitem menos de um terço do CO2 que emitem as outras (óleo e carvão)”(3)

Segundo a Empresa de Pesquisa Energética – EPE, com o resultado do Leilão de Energia Nova A-3, realizado em 17/09/2008 pelo Governo Federal, foram contratadas 10 usinas termelétricas para fornecer a energia que deverá entrar no Sistema Interligado Nacional – SIN até 2011(4). A grande questão é que das termelétricas contratadas para o Nordeste (80 % do total), seis (60 %) estão previstas para serem instaladas na Bahia e todas (100 %) serão movidas a óleo pesado (OCB1). As duas únicas leiloadas para a região sudeste, serão movidas a gás natural.

Em relação ao 7º leilão de Energia de Nova (A-5), ocorrido no dia 30/09/2008, para negociação de entrega de energia com início em 2013(5), apenas uma fonte hídrica (UHE Baixo Iguaçu – PR) foi contratada. Dos 24 fornecedores contratados nesse leilão, quinze (62,5 %) serão instalados no Nordeste, sendo que 14 (93 %) serão usinas termelétricas movidas a óleo pesado (OCB1) e uma (7 %) delas usará carvão mineral importado na geração de energia. Do total desse leilão, cinco usinas (20,8 %) têm previsão de instalação na Bahia, sendo que todas (100 %) serão acionadas pela queima de óleo pesado (OCB1). Enquanto isso, das 7 leiloadas para o sudeste, apenas 3 (40 %) serão movidas a óleo pesado.

A quantidade de termelétricas, contratadas nos leilões públicos, é alvo de críticas da própria Empresa de Pesquisa Energética (EPE), estatal responsável pelo planejamento do setor. O presidente da EPE, Maurício Tolmasquim, disse (em abril de 2009) que o crescimento da energia térmica é fruto de uma visão “estranha” dos órgãos ambientais, que privilegiam usinas poluidoras em detrimento de hidrelétricas(2).
Como as usinas termelétricas, à base de óleo combustível, emitem grandes quantidades de CO2, o que estamos assistindo na Bahia será a formação de um “cinturão de energia suja”, interligando os municípios próximos ao Recôncavo em que essas térmicas estarão instaladas. Das onze térmicas contratadas até o momento para a Bahia, apenas uma está localizada fora da região do Recôncavo, no município de Senhor do Bonfim.

Todas as térmicas projetadas pela EPE têm previsão de início das operações entre 2010 e 2013(2) o que implica que, quando todas as dez usinas previstas para implantação nas proximidades do Recôncavo da Bahia estiverem em operação, uma quantidade enorme de gases poluentes (CO2, CO, NOx e SOx) serão lançados na atmosfera. Numa estimativa simplista, considerando que as térmicas na Bahia funcionarão apenas dois meses (60 dias) por ano, que consumirão apenas 100 toneladas de óleo combustível por dia (cada), que o óleo possui em média 87 % de carbono(6) e que para cada quilo de combustível queimado serão produzidos 3,19 Kg de CO2 (1), isso resultaria no lançamento de aproximadamente 191,4 milhões de Kg de CO2/ano. E este ainda seria um cenário bastante otimista. Na prática, por se tratarem de usinas de despacho, que deverão ser acionadas a qualquer momento pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), o número de dias de funcionamento poderá exceder o previsto, resultando em lançamento de uma carga de poluentes atmosféricos superior à estimativa apresentada.

Outro aspecto importante a ser dicutido sobre essa “onda” de leilões envolvendo a compra de energia gerada pelas térmicas é a real necessidade de que tantas usinas sejam implantadas na Bahia. O diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Hermes Chipp, disse (em 17/08/2009) que “a expectativa do governo é de que, daqui até o fim do ano, não será mais necessário fazer geração de energia complementar em usinas termelétricas”(7). Segundo dados recentes do ONS, os reservatórios da Região Sul operavam com 85,8 % da capacidade; os do Sudeste e do Centro-Oeste com 74,1 % do potencial; os do Nordeste a 80,7 %; e os do Norte, 75,8 % (7). Assim, é preciso refletir sobre a quem beneficiará, de fato, o fornecimento dessa energia. Será a Bahia a principal beneficiada ou, mais uma vez, nosso território e nossos recursos estarão sendo usados em benefício dos estados do sul e sudeste?

Por fim, gostaria de encerrar essa breve escrito deixando o comentário de Marco Tavares, sócio da consultoria Gás Energy: “O Brasil está piorando muito a sua matriz energética, nenhum País investe em geração térmica a óleo. Estamos na contramão do mundo”(8).

Referências

(1) ABESCO. Combustão e Poluição. Disponível em: http://www.abesco.com.br/datarobot/sistema/paginas/pagebody2.asp?id=35&msecundario=1253
(2) Sudeste ”exporta” usinas poluidoras. Disponível em: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20090406/not_imp350554,0.php
(3) Governo barra termoelétricas ’sujas’. Disponível em: http://www.estadao.com.br/economia/not_eco354489,0.htm
(4) EPE. Leilão A-3/2008 possibilita excedente estrutural de oferta de energia em 2011. Disponível em: http://www.epe.gov.br/imprensa/PressReleases/20080918_1.pdf
(5) EPE. Leilão A-5/2008 contrata 5.566 MW para atender o mercado nacional em 2013. Disponível em: http://www.epe.gov.br/imprensa/PressReleases/20080930_1.pdf.
(6)PERRY, R.H., CHILTON, C.H.  Análises elementares típicas dos combustíveis de petróleo. In: Manual de Engenharia Química, 5ª.edição, tradução de Horácio Macedo, Luiza M. Barbosa e Paulo Emídio de F. Barbosa.Rio de Janeiro: Guanabara Dois, 1980.
(7) Energia térmica poderá não ser mais necessária este ano. http://www.estadao.com.br/economia/not_eco420246,0.htm.
(8) País precisará importar óleo para termelétricas. Disponível em http://www.power.inf.br/pt/?p=1636

* Professor Fadigas é Dr. em Agronomia

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INEP e Ministro da Educação com “filme queimado” na Bahia

Postado em 04 setembro 2009 por Coordenador

Do senador César Borges à deputada comunista Alice Portugal, o descontentamento era o mesmo. Na reunião ocorrida na Câmara dos Deputados com a bancada baiana para discutir o orçamento de 2010, sobraram críticas à postura do INEP, que, mesmo sem ter avaliado a UFRB, divulgou uma lista em que a federal do Recôncavo era mostrada como uma universidade deficiente.

Presente ao encontro, o reitor Paulo Gabriel explicou aos parlamentares que a UFRB nunca foi avaliada.

O INEP avaliou, na verdade, o curso de agronomia e, mesmo assim, em 2007. Os alunos do curso de agronomia foram formados pela UFBA, às vésperas de suas formaturas foram transferidos para a UFRB, que absorveu o curso da UFBA. O seja, fizeram o curso na UFBA e foram avaliados quando entraram na UFRB.

O tempo fechou entre o INEP e os parlamentares baianos e sobraram críticas à atitude do instituto que divulgou a nota do curso de agronomia como se isto fosse a avaliação da universidade inteira.

Os parlamentares criticaram os prejuízos causados pelo instituto à imagem da UFRB, uma vez que somente em 2011 os seus formandos serão, de fato, avaliados.

No Estadão, o reitor Paulo Gabriel bateu forte no INEP e afirmou tratar-se de uma “aberração estatística”.

O reitor tem razão. É uma irresponsabilidade divulgar a nota de 1 curso como se fosse a avaliação dos quase 40 cursos oferecidos pela instituição.

O INEP deve se preparar para apanhar da bancada baiana que também está de olho no Ministro da Educação, Fernando Haddad.

É que o ministro sabe que a avaliação restringiu-se ao curso de agronomia, mas, em particular, utiliza-se da “avaliação” para negar aos parlamentares mais investimentos na ampliação das universidades federais baianas.

Agora, com a “aberração estatística” revelada, Haddad não pode mais usar este artifício para privilegiar outros estados, como vinha fazendo.

A reclamação da bancada deve chegar aos ouvidos do presidente Lula.

Por Charles Carmo*

* Charles é assessor parlamentar.

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Um ano de LINK RECÔNCAVO – Informação com liberdade de expressão

Postado em 26 agosto 2009 por Coordenador

O que começou como projeto de ensino, em um processo experimental de Laboratório Virtual de Jornalismo Online, tornou-se independente. Hoje vejo o LINK com vida própria, recebendo textos de vários colaboradores, a maioria que não tem ligação com o curso de Comunicação. Baseado no conceito de jornalismo cidadão, onde as pautas precisam ser do interesse do leitor, até mesmo sugeridas pelo leitor, com base na proximidade de atuação, neste caso, as cidades do Recôncavo da Bahia, o LINK hoje recebe uma média de 4 mil acessos/mês, sem qualquer divulgação. E basta ver os comentários ( exemplo os 89 comentários, até agora, na matéria sobre termoelétricas em Sapeaçu), para percebermos o quanto um veículo alternativo como este cumpre com seu papel.
O portal tem cerca de 450 matérias publicadas, de assuntos diversos, muitos deles de utilidade pública. Possui ainda 36 podcasts e 36 vídeos postados. Seguindo os conceitos regentes do jornalismo on-line como informação de proximidade, interatividade e multimídia, esse veículo foi construído baseado em duas plataformas não-proprietárias: O WordPress e o Audacity, softwares livres, até porque o Projeto não tem qualquer tipo de financiamento ou patrocínio. Temos apenas voluntariado atuante.
O domínio e aplicação de softwares livres em comunicação permite ainda que o estudante de jornalismo, futuro profissional, domine ferramentas sem custo, capazes de torná-lo mais independente e capacitado na era da informação. Com tais ferramentas ele pode desenvolver blogs informativos, que integrem textos e audios, sem a necessidade de gastar com os softwares proprietários usados nas grandes empresas de comunicação. Os blogs hoje são veículos capazes de congregar múltiplas linguagens, gerar renda e dar visibilidade aos profissionais do jornalismo.
A estratégia metodológica do laboratório virtual Link Recôncavo, baseado em plataforma de software livre, permitiu ao aluno ampliar o universo de possibilidades na gestão do próprio conhecimento, agregando valor a uma disciplina, pois trabalhou noções de informática, de edição de audio e radiojornalismo. No futuro, os estudantes deverão ter seus Links…Amargosa, Cachoeira, Salvador, Barreiras, Itabuna… enfim… espaços para exercício livre e legal da profissão.
Com esse aniversário de um ano, estamos modificando o layout, uma atualização para a versão wordpress 2.8.4. O Template antigo fazia parte da versão 2.7. E tem apenas um ano de criado!!! Isso é software livre. Atualizações constantes.
Como moderadora e coordenadora deste blog/portal, só tenho a agradecer a cada um dos colaboradores, em especial ao César Velame, nosso webdesigner, anjo da guarda dos Laboratórios Virtuais, ao Gustavo Medeiros e Hamurabi Dias (estudantes do sexto semestre de Jornalismo) e aos Jornalistas Maurício Medeiros e Alzira Costa, pela efetiva contribuição com textos neste espaço. E claro, a todos os leitores, comentaristas, que tornam esse portal um veículo vivo para a comunicação cidadã.

Alene Lins

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PM’s pedem socorro!

Postado em 14 agosto 2009 por Coordenador

Queremos proteger o cidadão, fazer nosso trabalho e bem feito. Não escondemos que há policiais que mancham o nome da PM, mas se houver uma classe ou instituição que TODOS sejam prefeitos, pode citar para que peçamos conselhos e consultoria.

A PM é tão importante que não pode fazer greve. Todos os outros podem, mas sem os Policiais Militares as cidades param. AS pessoas não saem para fazer compras, os comércios fecham, a justiça fica sem poder fazer as audiências, pois não terá quem faça escoltas, os cidadãos não vão ao trabalho e tudo vai desmoronando. E não queremos isso, amamos a PM e queremos o melhor para a sociedade. Mas chega de tantas mortes de policiais por não terem coletes, não terem viaturas adequadas, não terem armas modernas. Como é que vamos fazer o trabalho? E se vc parar pra pensar, os bandidos já tomaram conta, só que as pessoas ainda confiam quando veem uma viatura passar.

Não temos aparelhos de comunicação e trabalhamos de forma idêntica ao filme tropa de Elite. Lembra das viaturas que foram entregues ao Neto, mas não havia dinheiro pra ele consertar? Lembra que ele queria trabalhar nas ruas combatendo o crime e não deixaram? Lembra dos acordos que os governantes faziam no filme com os comandantes? Aqui não é diferente.

A gente só quer voltar ao trabalho e fazê-lo bem feito. Só pedimos o que está na Lei. Não colocamos na pauta nem um terço do que queremos. Apenas o que está na Lei.

Os PMs também votaram no governador. Lembram quando ele mostrou um contra-cheque de um policial em sua campanha eleitoral? Lembram quando ele apoiou a greve de 2001? A gente tá triste, muito mais do que revoltado. Porque, além dos bandidos que oferecem até mais de R$10.000 pela cabeça de um policial morto, ainda temos que ter medo do governo que também faz de tudo para “cortas nossas cabeças” como está fazendo agora. Um governo que passou pelo massacre da ditadura deveria estar ao lado da democracia e cumprir a Lei, ameaça de retirar as propagandas do governo das emissoas de TV que apoiarem o movimento ou mostrarem o caos que as cidades estão ficando sem os policiais. Estamos nos tempos de calhuga.

A gente só não quer morrer com um tiro enquanto protege a sociedade. A gente só quer poder comprar um veículo para não morrer quando um bandido nos reconhece no ônibus. A gente só quer ter uma viatura e equipamentos adequados pra chegar mais rápido às ocorrências e não ter que ouvir as pessoas dizerem que a polícia nunca está quando se precisa.

A gente só quer fazer nosso trabalho bem feito. E não estamos fazendo isso. Estamos trabalhando de forma ilegal. E todos os policiais estão indo trabalhar, todos assumem o serviço e todos querem fazer rondas, mas não temos os equipamentos. É querer que um médico que está na sala de cirurgia trabalhe sem luz elétrica, sem bisturi e sem enfermeiros, anestesista. Algum médico consegue? Pois é, nós policiais “conseguimos” trabalhar sem nossos equipamentos. Só que não dá pra fazer bem feito.

Será que ainda há algum político que veja o que está acontecendo? Há alguém aí pra ver que não há só um poder, mas são três? Cadê os outros dois poderes? EStão no silêncio porque também não querem ficar sem a proteção da PM?? Isso não justifica a omissão que está havendo na Bahia por parte da demais autoridades. Então o governador pode fazer o que quiser? Essa história de democracia da Constituição de 1988 é mentira?? E só porque vestimos uma farda militar não temos direito à dignidade da pessoa humana? É muito fácil dizer que quem não estiver satisfeito que saia. Se for por isso, 90% dos brasileiros sairiam dos seus empregos. E esse também era o discurso na ditadura. “Brasil, ame-o ou deixe-o”. Então na quela época o governador, que foi perseguido pelo governo da ditadura, deveria ter saído do país já que estava insatisfeito.

E, claro, a rede glogo continua a mesma de sempre. Como foi na época Fernando Color, que escondeu as manifestações das “Diretas Já”. Agora esconde o movimento da PM e mostra os carros dos comandantes nas ruas para que a população pense que tá tudo light. As outras emissoras também.

Pode até ter seus interesses, mas só estou vendo um político lutar por esta causa. Somente um, o deputado Tadeu Fernandes. Todos os outros se calaram, até os de oposição. Será que tá rolando mensalinhos, masalão e mensalões???

Chegaram 3.000 coletes! Uau!! Agora a PM é a melhor polícia do mundo!! Oba! Oba!
Ridículo… Isso não dá nem para os policiais da capital. São quase 30.000 policiais. E os outros? Dá uns 10 policiais para cada colete. Ah! já sei. Segura o colete na frente e ficam 10 policiais atrás recebendo tiro e pedindo pelo amor de Deus pra não ser baleado, não é?? Então gente,  Jacques Wagner comprou 3.000 coletes… socorro!!! pede a PM da Bahia.

Por Marcone Rodrigues

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O Carná Junino

Postado em 14 julho 2009 por Coordenador

Por Luis Flávio Godinho
 
 Nos últimos três anos tenho refletido sobre os sentidos atribuídos às festas de São João do interior da Bahia, pelo menos das mais conhecidas. Longe de continuar a achar – e não sou saudosista e muito menos desconheço que as tradições são reiventadas continuamente – que as coisas não mudam! -  Esta festa dos últimos tempos está há milhas de distância das motivações originárias: o sentido religioso e agrícola, uma vez que esta  vem continuamente se transformando num carnaval fora de época, onde a transgressão é a tônica. Eu não estou sendo patrocinado pela água com quinino, pelo amor de deus!
 
Do ponto de vista do patrocínio, as indústrias de bebidas se apoderaram do clima junino, por isso é mais fácil achar uma latinha da Skol, Sol, Bavária ou Brahma do que um quentão !. Amendoim? Milho? Canjica? Sai pra lá seu jeca! pois a cidade é nossa e São João não passará aqui, porque alugamos a casa do nativo! Irão dizer os bandos urbanóides que se avolumam nessa volta ao rural disfarçada de tapeação de saída, vide que o urbano não sou se apropriou do rural como o pasteurizou e colocou para vender em larga escala! Quer um conselho? Vá a uma e irá em todas estas festas!
 
 As letras de músicas das bandas de “forró” não nos deixa mentir: “Senta que é de menta”, obviamente influenciada por alguma marca de camisinha, “beber, cair e levantar”, por alguma de bebida. Quando acreditei que o discurso sempre seria abstrato e generalista, chega “Red Label ou Ice”. E na repetição do Ice, Ice, Ice, uma clara conotação do gozo carnal! Freud explica!
 
Defendo que o milho virou carne, carna, carnaval. Não é por outro motivo que o símbolo alimentício desse carnaval modificado e meeiro é o velho churrasquinho de gato dos estádios de futebol. Uma pergunta: alguém já viu um gato durante festa de são joão? Existem outros estrangeirsmos: crepe e hot dog também imperam! ? É a ilusão do urbano se rendendo ao rural! Não vê o rural que o urbano o engaiolou numa lógica mercantil e ditada de fora?!
 
 E as influências são diversas, todas com conotação libidinosa. Vamos aos nomes das festas? Também trazem os significados da carne: “Tico mia”, Forró do Bosque ou do Box, segundo Zé Eduardo, do sensacionalista Se lica Bocão!, Piu-Piu (fazendo alusão ao Bráulio roxo) Maria Bunita (com bu de bú e outdoor com mulher brejeira e com mini saia provocante…). Programação? Banda de Forró que já tenha divulgado seus sons em DVD,s patrocinados pela indústria fonográfica. Pude ver a frieza com que Osvaldinho do Acordeon foi recebido numa dessas praças da “alegria” há muito pouco tempo!” Ma fazer o quê? dirão os críticos culturais, se a festa é pro povo, como o céu é do condor!? E não  exista político que não queira estar com ou junto com ele, o povo?! Quer um conselho? Eduque as “massas”, não as do Pedaço Paulista, mas as submetidas ao monoculturalismo! Escravizadas, que estão, pela mídia e música de massa tocada em todas as festas do ” interior”.
 
Os sujeitos? De variados tipos e matrizes: tem o jovem picolé urbanóide, em forme de sorvete – forte da cintura para cima e fraco da cintura para baixo, sendo seu principal objeto de desejo transar, comer, fazer amor, sei lá o quê, com alguma menina urbanóide que freqüente as festas “light” do circuito, repletas de “gente bonita”, massificada e parecida nos gostos e aparências. Eles geralmente usam a blusa da festa, sem manga, mesmo com a temperatura noturna beirando os 18 graus, que para a Bahia é deveras frio!  Adoram o consumo conspícuo e o ócio descarado alimentado por doses de uísque red label com ice, camisinha de menta, cerveja da patrocinadora da festa, mulheres, motos e carrões com equipamento de som muitas vezes mais caros do que os próprios autos. Seu símbolo de intercâmbio é o cartão visa elétron! Vi um – desses caras – chegar para uma feijoada em uma barraca de madeira da feira local e perguntar se o lugar aceitava débito em conta! E o símbolo de prestígio? A camisa de alguma festa paga que vale quase o valor médio mensal do salário pago à maioria dos trabalhadores do comércio local.
 
Outros tipos sociais são facilmente reconhecíveis: nativos de classe média e desfavorecidos. Aqueles criam espaços simbólicos de diversão com uma espécie de delimitação anti-desfavorecidos, estes ficam a contemplar a festa na frente dos palcos, lugar de tensão e confusão! Tem os comerciantes ávidos pelo lucro e pelo bolso dos estrangeiros, Comi durante a festa por 8 reais, mas vi na mesa ao lado, o ex-morador rural urbanizado da capitá pagar 12 reais pelo mesmo prato, com um pedido de cumplicidade feito à mim. Tem as meninas periguetes sonhadoras. As patricinhas locais. E o mais previsível dos nativos: o garoto da periferia -em sua maioria de tez negra – ávido por arranjar uma moça de camisa cor violeta, portada pelas rainhas da distinção social, uma vez que,  entre os da elitizada festa do Piu-Piu, são a La creme de La creme, a nata da nata. Outro símbolo da distinção social  desejado pela elite local é estar nos camarotes importados da Sapucaí e do carnaval de salvador. Um deles, patrocinado por uma Loja de Pizzas instalada no circuito, que faz a alegria dos que vão ao outro mundo sem sair do seu! Mas eu queria comer beijú de manteiga, ah como queria!
 
Nesse caldeirão social todos são aparentemente misturados, mas guardam suas diferenças e pertencimentos cotidianos. A ida ao interior é aparentemente a quebra do cotidiano, mas na verdade o reforça! Estar nessa festa me fez lembrar de uma letra de música do Lampirônicos: “ Quem é do interior vai buscar o interior, quem é da capital vai buscar o capital”. Eu emendaria: ou a capital?
 
* Luiz Flávio é educador

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