O projeto Women in Hydrogen Development through Advanced New Materials and Engineering Networks (W-H₂), coordenado no Brasil pela Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), foi aprovado no Edital CNPq nº 05/2024 – Cooperação Brasil–Áustria. A iniciativa fortalece a cooperação científica internacional voltada ao desenvolvimento de tecnologias inovadoras para a cadeia do Hidrogênio Verde, com destaque para o uso de materiais avançados, como aerogéis, e para a liderança feminina na ciência e na engenharia.
Além da UFRB, o W-H₂ reúne outras instituições brasileiras, o SENAI CIMATEC e a Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), e parceiros austríacos, a Universidade Tecnológica de Graz (TU Graz) e o centro HyCentA – Hydrogen Research Center Austria. Ao longo de dois anos, as equipes atuarão de forma integrada em missões científicas, treinamentos técnicos e na realização de quatro workshops internacionais, promovendo a troca de conhecimento e o fortalecimento de redes de pesquisa.
Segundo a coordenadora do projeto, professora Carine Tondo, do Centro de Ciência e Tecnologia em Energia e Sustentabilidade (CETENS) da UFRB, o trabalho conjunto envolverá desde o mapeamento de oportunidades até testes em eletrolisadores e avaliação de integração em escala piloto. “O W-H₂ posiciona Brasil e Áustria na fronteira da inovação em hidrogênio verde, contribuindo diretamente para a transição energética e para o fortalecimento de redes internacionais de pesquisa”, destaca.
Metodologia e pacotes de trabalho
O projeto está organizado em quatro pacotes de trabalho (PTs) interconectados, que estruturam o desenvolvimento das tecnologias baseadas em aerogéis. As atividades abrangem desde o mapeamento de aplicações estratégicas na cadeia do hidrogênio até a síntese, caracterização e validação dos materiais em condições simuladas. A etapa final avalia os desafios de ampliação de escala e o potencial de integração industrial, especialmente na infraestrutura do HyCentA, na Áustria.
“Ao alinhar excelência científica com resultados práticos, o W-H₂ busca contribuir para a transição global para energias limpas, ao mesmo tempo em que fortalece a cooperação Brasil–Áustria e capacita pesquisadoras no setor de hidrogênio”, ressalta a docente.

Papel estratégico da UFRB
A UFRB coordena o projeto W-H₂ no Brasil e disponibiliza infraestrutura essencial para pesquisa, formação de estudantes e desenvolvimento tecnológico, com laboratórios dedicados à catálise, eletrólise e caracterização de materiais. Um dos destaques é o Laboratório de Caracterização de Biomassa (LCB), referência em biocombustíveis, análise de biomassa e produção de hidrogênio.
O LCB conta com equipamentos como HPLC/RID, biorreatores, espectrofotômetro UV-VIS e reatores de alta pressão, atuando na produção e purificação de hidrogênio e biogás, além do desenvolvimento de catalisadores e da pesquisa em hidrogênio verde, biodiesel e outros biocombustíveis. As atividades do laboratório enfatizam energias renováveis e captura de carbono, com uso de fontes inovadoras de biomassa, especialmente das regiões semiáridas do Brasil.
Além da infraestrutura, a UFRB abriga uma equipe interdisciplinar de pesquisadores engajada em colaborações nacionais e internacionais e lidera projetos estratégicos voltados à transição para energia limpa, integrando desenvolvimento científico, impacto social e equidade de gênero em STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática).
Cooperação de longo prazo e impacto social
Com base na confiança mútua e na sólida fundamentação científica construída, a parceria entre Brasil e Áustria está posicionada para evoluir para uma colaboração estratégica de longo prazo em inovação em hidrogênio verde, com possibilidade de expansão para outros sistemas eletroquímicos, como células a combustível e compressores eletroquímicos, reforçando uma visão compartilhada de sustentabilidade, equidade e inovação.
Para além dos avanços tecnológicos, o projeto se destaca também pelo compromisso com a promoção da liderança feminina em STEM, por meio de capacitações, missões científicas e apoio institucional. “Essa abordagem estabelece um modelo de cooperação científica inclusivo e globalmente relevante”, aponta a coordenadora.